Conta da Safra

FerramentasSolo e agronomia

Quanto calcário e quanto gesso o seu solo pede, e quanto isso custa?

Digite a análise de solo, o calcário que você vai comprar e os preços. A calculadora mostra a necessidade de calagem pelo método do seu estado, a dose corrigida pelo PRNT e pelo jeito de aplicar, o tipo de calcário pelo magnésio, o gesso pela camada de 20 a 40 cm e as toneladas e o custo no talhão.

É uma conta de apoio pelas fórmulas públicas, não uma recomendação: a dose final, o produto e a época são do engenheiro agrônomo, com a análise de solo na mão. Só a soja e o milho têm o V% alvo de fonte aberta. O das outras culturas é premissa do portal, editável: confira no boletim de recomendação do seu estado (ex.: Boletim 100 do IAC, 5ª Aproximação de MG). A página não cita marca nem fornecedor de calcário ou gesso.

Como a calculadora faz a conta

A conta parte dos números do laudo, em cmolc/dm³ (o laudo em mmolc/dm³ é dividido por 10, e o potássio em mg/dm³, por 391). Com eles saem a soma de bases, a CTC, a saturação por bases (V) e a saturação por alumínio (m). A necessidade de calagem sai pelo método do seu estado: pela saturação por bases, que leva o V atual até o V% alvo da cultura (o padrão, usado em SP, no PR, em MG e no Cerrado); pelo alumínio e Ca + Mg, que neutraliza o alumínio e completa o cálcio e o magnésio, na forma da Embrapa Cerrados ou na da 5ª Aproximação de Minas; ou pelo índice SMP do RS e de SC, com a dose da tabela que vem no laudo. Essa necessidade vale para calcário com PRNT de 100%, de 0 a 20 cm em área total. A calculadora corrige pelo PRNT do seu calcário, pela profundidade e pela parte da área que recebe e, no plantio direto já formado, limita a dose por vez em superfície. Depois estima o cálcio e o magnésio que ficam no solo com o seu calcário e com um calcítico, para mostrar se o magnésio e a relação Ca:Mg ficam na faixa. O gesso é decidido pela camada de 20 a 40 cm e dosado pela argila. No fim entram as toneladas, o preço efetivo e o custo. As contas abaixo usam os números do formulário.

Esta calculadora usa as fórmulas públicas da Embrapa e dos manuais estaduais para estimar a necessidade de calcário e de gesso a partir da sua análise de solo. É uma conta de apoio: a recomendação final é do engenheiro agrônomo, com o laudo completo e o histórico da área. Os métodos dão doses diferentes para o mesmo solo: use o do seu estado. O cálcio e o magnésio previstos supõem que todo o calcário reage na camada tratada e servem para comparar calcários, não para prever o próximo laudo. O gesso não corrige a acidez e não substitui o calcário. Preços, frete e aplicação são os que você informou.

O que é premissa nesta calculadora

Alguns documentos-base não foram abertos na pesquisa (Boletim 100 do IAC, 5ª Aproximação de MG, manuais do PR e do RS e SC, Embrapa Café e Embrapa Trigo). Até lá, estes números são do Conta da Safra, e todos podem ser trocados no formulário:

V% alvo por cultura e de onde vem cada número

V% alvo (V2) que a calculadora sugere para cada cultura e região, com a fonte ou o motivo da premissa
CulturaV% alvoFonte ou premissa

Qual método vale em cada região

Método oficial de cálculo da calagem em cada região e quem define
RegiãoMétodoQuem define
São PauloSaturação por bases, com o V% alvo por culturaIAC, Boletim 100
ParanáSaturação por basesManual do Paraná; resumo da Embrapa Soja
Minas GeraisSaturação por bases ou alumínio e Ca + Mg (Y, mt e X)CFSEMG, 5ª Aproximação; resumo da Embrapa Milho e Sorgo
Cerrado (GO, DF, MT, MS, TO e oeste da BA)Saturação por bases ou alumínio e Ca + MgEmbrapa Cerrados e Embrapa Soja
Rio Grande do Sul e Santa CatarinaÍndice SMP, com a tabela do laudoNúcleo regional Sul da SBCS (CQFS-RS/SC)

Perguntas frequentes

Qual método eu uso: saturação por bases, alumínio ou SMP?

O do manual do seu estado: saturação por bases em SP e no PR; em MG e no Cerrado, saturação por bases ou o método do alumínio e Ca + Mg; no RS e em SC, o índice SMP, com as tabelas do núcleo regional Sul da SBCS. Os métodos dão doses diferentes para o mesmo solo (no exemplo, 1,48 t/ha pela saturação por bases e 1,10 t/ha pelo alumínio), então não troque de método só para pagar menos.

Calcário calcítico ou dolomítico?

Depende do magnésio do seu solo. No Cerrado, a Embrapa pede pelo menos 0,5 cmolc/dm³ de magnésio e relação Ca:Mg entre 1:1 e 10:1; com magnésio abaixo de 0,8 ou relação Ca/Mg alta, o indicado é magnesiano ou dolomítico, e com relação Ca/Mg baixa, calcítico. A calculadora mostra o magnésio e a relação que ficam com o calcário que você vai comprar e com um calcítico na mesma dose.

Por que olhar o PRNT e não só o preço da tonelada?

Porque o PRNT diz quanto daquele calcário reage de fato. Divida o preço posto na fazenda pelo PRNT e multiplique por 100: é o preço da tonelada "efetiva" (Embrapa Cerrados). No exemplo, R$ 190 por tonelada posta, com PRNT de 91%, sai a R$ 208,79 por tonelada efetiva.

No plantio direto eu preciso incorporar?

Na abertura da área, sim, de 0 a 20 cm. No plantio direto já formado, o calcário vai em superfície, sobre a palha, com dose menor: de 1/3 a 1/2 da necessidade e até uns 2,5 t/ha no solo argiloso por vez (Embrapa Milho e Sorgo). A calculadora mostra o que fica para a próxima aplicação.

Quando o gesso vale a pena?

Quando a camada de 20 a 40 cm tem muito alumínio (saturação acima de 20%) ou pouco cálcio (abaixo de 0,5 cmolc/dm³), pelo critério da Embrapa Cerrados. Ele leva cálcio para baixo e ajuda a raiz a descer, mas não corrige a acidez. O efeito dura pelo menos cinco anos. As doses do Cerrado (50 kg por ponto de argila) e de Minas (tabela de até 1,6 t/ha) são bem diferentes: a página mostra as duas.

De quanto em quanto tempo refazer a calagem?

O efeito do calcário dura de dois a quatro anos, conforme o solo e o manejo (Embrapa Soja). Refaça a análise de solo antes de decidir. A planilha guarda o histórico das análises de cada talhão e compara o previsto com o medido.

Fontes

  1. Sousa, D. M. G.; Lobato, E. (Embrapa Cerrados). Correção do solo e adubação da cultura da soja. Circular Técnica 33, 1996: saturação por bases e V% alvo de 50% no sequeiro do Cerrado, fórmulas do alumínio, fator 100 ÷ PRNT, preço efetivo, magnésio mínimo e relação Ca:Mg, critério e dose de gesso. infoteca.cnptia.embrapa.br
  2. Pitta, G. V. E.; Coelho, A. M.; Alves, V. M. C.; França, G. E.; Magalhães, J. V. (Embrapa Milho e Sorgo). Cultivo do milho: fertilidade de solos — calagem e gessagem. Sistemas de Produção 2, 4ª ed., set. 2008: método do alumínio da 5ª Aproximação (Y, mt e X), V% alvo do milho, classes de calcário, dose em superfície no plantio direto, critério e tabela de gesso de MG. alice.cnptia.embrapa.br
  3. Embrapa Soja. Caracterização de genótipos de soja submetidos a níveis de calagem e adubação de sistema com fósforo e potássio na região centro-sul do Paraná. Documentos 417, 2019: V% alvo da soja no Paraná e no Cerrado, calagem no plantio direto, efeito de 2 a 4 anos e o calcário dolomítico do exemplo (PRNT 91%, CaO 39%, MgO 13%). infoteca.cnptia.embrapa.br
  4. Embrapa Soja (CNPSo). Recomendações técnicas para a cultura da soja na Região Central do Brasil. Documentos 46, 1991: V% alvo da soja em SP, no PR e na Grande Dourados (MS). Documento antigo, usado até a conferência no Boletim 100. infoteca.cnptia.embrapa.br
  5. Celoto, F. Cultura da soja: nutrição e adubação (material de aula citando a Embrapa Soja), página do prof. Edson Lazarini, Unesp de Ilha Solteira, sem data: V% alvo por estado, magnésio e escolha do calcário, doses de gesso por textura, efeito do gesso e método SMP no RS e em SC. feis.unesp.br
  6. Oliveira, C. M. R.; Souza, R. B.; Sturm, G. M.; Passos, R. R.; Andrade, F. V. (UFES). Avaliação do desenvolvimento inicial de cana forrageira cultivada sob diferentes níveis de saturação de bases em casa de vegetação. Anais do XII INIC, 2008: a tolerância da cana à acidez (só contexto; não é V% de recomendação). inicepg.univap.br
  7. Preço de referência de cada cultura (custo em produto por hectare): Cepea e Consecana-SP, nas datas indicadas. Detalhes e links de cada número em Dados de referência das culturas, do Conta da Safra.