Como a calculadora faz a conta
É uma conta de primeira ordem, em linha reta. Cada grupo de insumo (fertilizantes, defensivos, sementes, máquinas e peças, diesel) tem uma parte do preço que acompanha o dólar: se essa parte é 80% e o dólar sobe 10%, o produto encarece 8%. Somando os grupos, sai o efeito no custo. Nas culturas cujo preço se forma a partir da bolsa em dólar, o preço em reais também sobe com o dólar, na parte que você informar, e o efeito líquido é o da receita menos o do custo. O que você já comprou e o que já vendeu a preço fixo em reais não muda com o dólar. Mão de obra, arrendamento em reais, juros, impostos e depreciação ficam em reais. As contas abaixo usam os números do formulário.
Simulação com premissas. A calculadora não prevê o dólar nem os preços dos insumos e da safra. A parte do custo que acompanha o dólar é uma estimativa: troque pelos números da sua nota fiscal. O efeito real depende de quando você compra os insumos e de quando vende a safra.
De onde vêm os números. Os custos por grupo (fertilizantes, defensivos e sementes) e o custo total de soja, milho de 2ª safra e algodão são do Imea/Senar-MT, safra 2026/27. Para café, cana, trigo, arroz, feijão, laranja e tomate não encontramos a divisão do custo por grupo publicada: nessas culturas a calculadora usa os custos que você digitar. A parte de cada custo que acompanha o dólar, o custo de máquinas e de diesel, o dólar do cenário e a parte do preço que acompanha o dólar são premissas do portal, sem fonte pública direta; a dica de cada campo diz o que apoia o valor. Não entram na conta arrendamento e barter pagos em sacas, financiamento ou CPR em dólar, juros, seguro rural, imposto de exportação e o custo de proteger o dólar. Para a parte do preço que acompanha o dólar, veja a paridade de exportação.
Perguntas frequentes
Quanto do meu custo de produção anda com o dólar?
No exemplo da soja de Mato Grosso, cerca de metade do custo operacional efetivo (COE): R$ 3.020,45 por hectare de R$ 6.012,39 (50,2%), dos quais fertilizantes e defensivos são 91,8%. O número usa premissas para a parte dolarizada de cada grupo, apoiadas em dados de importação do MAPA, da ANDA e do Comex Stat. Com o custo total do Imea (R$ 8.171,41), que inclui mão de obra, arrendamento e depreciação, a parte cai para 37,0%.
Se o dólar subir, eu perco ou ganho?
Nas culturas cujo preço se forma a partir da bolsa em dólar, em geral a receita sobe mais que o custo: no exemplo da soja, uma alta de 10,18% do dólar soma R$ 999,54 à receita e R$ 307,48 ao custo, ou R$ 692,06 por hectare de ganho líquido. Quem já vendeu a safra em reais e ainda precisa comprar insumos fica só com a alta do custo. Se o seu custo em dólar é maior que a sua receita em dólar (cobertura abaixo de 1), o efeito se inverte.
Por que o fertilizante pesa tanto?
Porque, segundo o MAPA, 85% do fertilizante consumido no Brasil é importado, e o preço de porto é cotado em dólar. Em outubro de 2026 o Itaú BBA indicava ureia a US$ 470 por tonelada, MAP a US$ 830 e cloreto de potássio a US$ 355, preços CFR Brasil (no porto, sem frete interno, impostos e margem). O que o produtor paga em reais tem ainda frete, impostos e margem em reais, por isso a calculadora usa uma parte dolarizada menor que 100%. Em 2026 o preço em dólar do fertilizante mexeu muito mais que o câmbio: a ureia foi de cerca de US$ 765 por tonelada em maio (Itaú BBA, via Agrolink, 11/05/2026) para US$ 470 em outubro, e o dólar quase não mudou. A calculadora mostra só o efeito do câmbio, não o do preço em dólar.
Posso confiar na "parte dolarizada" da calculadora?
Ela é um ponto de partida, não um dado oficial. Para fertilizantes e diesel há apoio público (dependência de importação e composição do preço final) e para defensivos há o valor importado, mas nenhuma fonte pública que encontramos publica a parte dolarizada de cada grupo. Sementes, máquinas e peças são premissas. Quando você souber o preço em dólar do seu fornecedor, calcule a parte assim: preço em dólar × dólar de referência ÷ preço que você paga. A incerteza sobre fertilizantes e defensivos mexe pouco no efeito no custo, cerca de R$ 50 a R$ 60 por hectare no exemplo da soja, bem menos que o efeito na receita.
E se eu já comprei os insumos?
Informe a parte já comprada em "Insumos já comprados": ela deixa de se mexer com o dólar. Na safra 2026/27, as compras de insumos da soja passavam de 80% no fim de julho (95% em Mato Grosso) e as do milho safrinha de 2027 estavam em 35%. Por isso, para a soja já plantada, o dólar de hoje mexe quase só com a receita; para o milho safrinha de 2027, cerca de 65% dos insumos ainda estavam por comprar e o custo ainda se mexe com o dólar.
Qual dólar eu uso como referência?
O dólar em que você cotou os seus custos: o de hoje (R$ 5,0826 em 16/10/2026, dólar de venda do Banco Central) ou o do orçamento. O Imea converte o custo de 2026/27 ao dólar médio de R$ 5,12 a R$ 5,16, não ao de hoje; se você quer isolar o efeito do dólar de hoje contra o do orçamento, digite o dólar do orçamento em "Dólar de referência".
Fontes
- MAPA. Apresentação à Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados: Plano Nacional de Fertilizantes (85% do fertilizante consumido é importado). 30/09/2025. camara.leg.br
- Safras & Mercado. Entregas de fertilizantes crescem 8,4% e atingem 40,94 milhões de toneladas (dados da ANDA, janeiro a outubro de 2025). 06/01/2026. safras.com.br
- Revista Cultivar. Ureia avança e safras enfrentam mudanças na oferta e nos preços (Itaú BBA, relatório de outubro: ureia, MAP e cloreto de potássio, CFR Brasil). 14/10/2026. revistacultivar.com.br
- Revista Cultivar. Fertilizantes: cenário muda e exige atenção nas compras (Biond Agro: percentuais de compra de insumos da safra 2026/27). 25/08/2026. revistacultivar.com.br
- Economic News Brasil. Importação de defensivos agrícolas bate US$ 14,3 bilhões em 2025 (Comex Stat/MDIC e CropLife Brasil). 21/01/2026. economicnewsbrasil.com.br
- Correio da Manhã. Estudo da Empresa de Pesquisa Energética detalha caminho e custos dos combustíveis até chegar nos postos (EPE, estudo de fevereiro de 2026: composição do preço do diesel). 26/05/2026. correiodamanha.com.br
- Argus Media. Mato Grosso ups its 2026-27 crops cost estimates (Imea: custos de fertilizantes, defensivos e sementes de soja e algodão e dólares médios do Imea). 17/08/2026. argusmedia.com
- CNA. Custo da soja sobe e rentabilidade deve cair 35% na safra 26/27, aponta estudo do Imea/Senar MT (COE de R$ 6.012,39 e custo total de R$ 8.171,41 da soja). 11/09/2026. cnabrasil.org.br
- Revista Cultivar. Custo do milho em MT sobe 13,89% na safra 2026/27 (Imea/Senar-MT: fertilizantes, defensivos, sementes e COE do milho 2ª safra). 23/09/2026. revistacultivar.com.br
- Notícias Agrícolas. Custo de produção da soja 2026/27 sobe no Mato Grosso, enquanto milho e algodão têm leve recuo (Imea/Senar-MT, COE do algodão). 21/07/2026. noticiasagricolas.com.br
- Banco Central do Brasil. Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS): série 1, dólar americano (venda). Cotações de 28/09 a 16/10/2026. api.bcb.gov.br
- Agrolink (Leonardo Gottems). Relação de troca preocupa produtores em 2026 (análise do Itaú BBA: ureia a cerca de US$ 765 por tonelada, CFR Brasil, em maio de 2026). 11/05/2026. agrolink.com.br
- ANP. Síntese semanal dos preços nº 41 (diesel B S10, média de revenda no Brasil de R$ 7,36 por litro). Semana de 04 a 10/10/2026. gov.br/anp
- Produtividade e preços de exemplo das culturas: Imea, Conab, Cepea/Esalq e outras fontes, com a data de cada número. Detalhes em Dados de referência das culturas, do Conta da Safra.