Como a calculadora faz a conta
Primeiro, o diagnóstico. Cada leitura do penetrômetro, em MPa, é comparada com o limite crítico: 2,0 MPa, o limite usado no intervalo hídrico ótimo, ou 2,5 MPa, o estado crítico que a Embrapa Soja e a UFRGS acharam num Latossolo muito argiloso em plantio direto, com o solo na capacidade de campo. As camadas acima do limite formam a camada compactada, e a profundidade de trabalho fica de 5 a 10 cm abaixo da base dela, como manda a Embrapa. A densidade e os sinais de campo entram como apoio. Depois, a conta econômica. A perda de produção vem da resistência média de 0 a 20 cm, a única ligada à produtividade da soja no ensaio, por uma curva que passa pelos dois pontos da fonte. Com a perda, a calculadora acha a produção que a compactação tira e o valor dela. O custo da operação sai do custo horário do trator e do implemento dividido pela capacidade de trabalho, ou do valor por hectare que você digitar. O ganho cai em linha reta ao longo da duração do efeito, e a conta mostra o saldo, a safra em que a operação se paga e a menor perda que a paga. As contas abaixo usam os números do formulário.
Esta conta é uma estimativa feita com as médias que você informou e com fontes públicas de pesquisa. A perda de produtividade pela compactação vem de um ensaio com soja em Latossolo muito argiloso e pode ser diferente no seu solo. A leitura do penetrômetro muda com a umidade, e a calculadora não a corrige: só avisa. Confirme a compactação com uma trincheira e com o seu agrônomo antes de contratar a operação. A calculadora não recomenda máquina, implemento nem marca. Para o custo horário do trator e do implemento, use a calculadora de custo horário de máquina; para a pressão dos pneus, a de desgaste de pneus e esteiras.
O que é premissa nesta calculadora
As fontes abertas trazem o método e poucos números. O que não tem fonte é do Conta da Safra, aparece como premissa e pode ser trocado no formulário, no grupo "Premissas do portal" ou nos campos de custo:
- A forma da curva de perda. Os dois pontos (10% em 2,5 MPa e 40% em 3,5 MPa) são do ensaio da Embrapa Soja e da UFRGS, que diz que a resposta é quadrática, mas não dá a equação. A calculadora usa a parábola que passa pelos dois pontos, com o ponto mais baixo em 1,5 MPa e o teto em 40%. É uma aproximação.
- A curva nas outras culturas. Só a soja tem curva nas fontes abertas. No milho, no algodão, no feijão, no arroz de sequeiro, no tomate, no café, nos citros e na cana, a curva da soja entra como ponto de partida, com aviso. No trigo, que não respondeu à compactação no ensaio, e no arroz irrigado, a perda padrão é 0%: digite a sua.
- Escarificação, subsolagem ou haste sulcadora. A Embrapa diz até onde trabalhar, mas não dá um corte entre escarificar e subsolar. A calculadora chama de escarificação o trabalho até 30 cm e de subsolagem abaixo disso, e lembra a haste sulcadora da semeadora quando a camada dura fica nos primeiros 15 cm.
- A duração do efeito e a queda em linha reta. As fontes dão de 6 meses a uns 3 anos. O exemplo usa 2 safras, com o ganho caindo em linha reta até zero. A parte da perda recuperada (100% no exemplo) serve para descontar o que não é compactação.
- As faixas de densidade por textura (atenção e restritiva), atribuídas a Reichert, Reinert e Braida (2003), que não foram abertas nesta pesquisa. A densidade crítica muda muito de um solo para outro.
- Os custos. O custo horário do trator é o do exemplo da calculadora de custo horário de máquina; o do implemento, a largura, a eficiência de campo e o valor por hectare de um serviço contratado não têm fonte pública de 2026.
- As leituras, a densidade e os sinais do exemplo: um perfil típico de plantio direto, com a camada dura logo abaixo da superfície. O corte de 3 sinais para "indício forte" também é do portal.
Como medir
Meça com o solo na capacidade de campo, de 1 a 3 dias depois de uma chuva boa, quando o solo já drenou: solo seco aumenta a leitura e solo molhado diminui, e só vale comparar leituras feitas com a mesma umidade. Faça 10 pontos ou mais por talhão homogêneo, longe de carreador e de cabeceira, e use a média de cada camada. Se o aparelho lê em kPa ou em kgf/cm², escolha a unidade no formulário; o penetrômetro de impacto precisa da conversão do próprio método antes. Depois, abra uma trincheira de 40 a 50 cm para ver as raízes e descarte outras causas, como acidez (veja a calculadora de calagem e gessagem), adubação, nematoides e seca. Não use a calculadora em solo encharcado ou recém-preparado, nem em área com pedra ou cascalho, que trava a ponta do aparelho.
Valores de referência e as datas deles
| Valor | Referência | Data | Fonte |
|---|---|---|---|
| Limite crítico de resistência (geral) | 2,0 MPa, o usado no intervalo hídrico ótimo | 2011 | UFS e Embrapa Tabuleiros Costeiros |
| Limite crítico em plantio direto | 2,5 MPa, na capacidade de campo, em Latossolo Vermelho muito argiloso | ensaio de 2013 e 2013/14 | Embrapa Soja e UFRGS |
| Perda da soja | 10% da produtividade máxima a partir de 2,5 MPa e 40% a partir de 3,5 MPa, de 0 a 20 cm; trigo sem resposta; escarificação sem ganho de produção | idem | Embrapa Soja e UFRGS |
| Profundidade de trabalho | 5 a 10 cm abaixo da base da camada compactada | 2018 | Embrapa Agrossilvipastoril |
| Espaço entre hastes (informativo) | 1,2 a 1,3 vez a profundidade no plantio direto | 2018 | Embrapa Agrossilvipastoril |
| Duração do efeito | 6 a 18 meses no basalto do RS; quase 3 anos num Latossolo de MT; haste sulcadora, pelo menos 12 meses | 2018 | Embrapa Agrossilvipastoril |
| Persistência da escarificação | porosidade melhor por uns 2,5 anos; camada compactada entre 7 e 15 cm; efeito "efêmero" | 2011 | UFSM e Embrapa Trigo |
| Densidade crítica (quanto varia) | 1,97 Mg/m³ num Argissolo Amarelo dos Tabuleiros Costeiros | 2011 | UFS e Embrapa Tabuleiros Costeiros |
| Custo horário do trator do exemplo | R$ 398,84 por hora, trator 4x4 de 200 cv | outubro de 2026 | Custo horário de máquina (Conta da Safra) |
| Faixas de densidade por textura, custo do implemento, largura, eficiência e duração de 2 safras | sem fonte aberta nesta versão; os exemplos são premissas do portal | — | — |
Perguntas frequentes
Qual leitura do penetrômetro indica solo compactado?
O limite mais usado é 2,0 MPa. Num Latossolo muito argiloso em plantio direto, a Embrapa Soja e a UFRGS acharam o estado crítico em 2,5 MPa, medido na capacidade de campo, com 10% de perda na soja; em 3,5 MPa a perda chegou a 40%. Se o seu agrônomo tem um limite para o seu solo, use o dele.
Quando eu devo medir?
Com o solo na capacidade de campo, de 1 a 3 dias depois de uma chuva boa, quando já drenou (o prazo é critério de campo, sem fonte). A leitura cai quando o solo está mais úmido e sobe quando está seco, e só vale comparar leituras feitas com a mesma umidade.
Escarificar sempre aumenta a produtividade?
Não. No ensaio da Embrapa Soja e da UFRGS, a escarificação reduziu a compactação, mas não aumentou a produção de trigo e soja em relação ao plantio direto. Por isso a Embrapa pede diagnóstico antes (histórico, trincheira e descarte de outras causas) e escarificação só quando necessário, por ser uma operação de alto consumo de energia. Se puder, deixe uma faixa sem a operação para comparar na colheita.
Quanto tempo dura uma escarificação?
É pouco. As fontes dão de 6 a 18 meses em solos de basalto do RS, quase 3 anos num Latossolo de Mato Grosso e uns 2,5 anos na porosidade de um Latossolo argiloso do RS. Sem mudar o tráfego e a rotação, a camada volta.
Escarificar ou subsolar?
A Embrapa manda trabalhar de 5 a 10 cm abaixo da base da camada compactada. A calculadora chama de escarificação até 30 cm e de subsolagem abaixo disso (critério de campo, sem fonte). Se a camada fica só nos primeiros 15 cm, a haste sulcadora da semeadora pode resolver: num Latossolo do RS, ela foi mais eficaz que a escarificação e reduziu o esforço de tração.
Como evitar que o solo compacte de novo?
Rotação de culturas e plantas de cobertura de raiz forte (nabo forrageiro, guandu, crotalárias, milheto e braquiárias); entrar na lavoura e escarificar só com o solo friável; menos passadas e sempre pelas mesmas linhas, porque o tráfego intenso aumenta a compactação; e pneus com a pressão certa para a carga (veja a calculadora de desgaste de pneus e esteiras). O tráfego controlado e a pressão dos pneus entram aqui como orientação geral: as fontes abertas não trazem números.
Fontes
- Drescher, M. S.; Eltz, F. L. F.; Denardin, J. E.; Faganello, A. (UFSM e Embrapa Trigo). Persistência do efeito de intervenções mecânicas para a descompactação de solos sob plantio direto. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 35, p. 1713-1722, 2011: porosidade melhor por uns 2,5 anos depois da escarificação, camada compactada entre 7 e 15 cm, efeito "efêmero" e semeadora com facão mais eficaz e com menos esforço de tração. alice.cnptia.embrapa.br
- Moraes, M. T.; Debiasi, H.; Levien, R.; Franchini, J. C.; Steffler, M. E.; Araujo, K.; Fink, J. A. (UFRGS, Embrapa Soja e Unopar). Limites críticos de indicadores da qualidade física de Latossolo Vermelho e sua relação com a produtividade de grãos de trigo e soja. Resumo, Encontro Nacional de Plantio Direto na Palha (ensaio com trigo de 2013 e soja de 2013/14): resistência crítica de 2,5 MPa na capacidade de campo, perda de 10% da soja em 2,5 MPa e de 40% em 3,5 MPa, resposta quadrática, só a camada de 0 a 20 cm ligada à produtividade, trigo sem resposta, tráfego intenso e escarificação sem ganho de produção. alice.cnptia.embrapa.br
- Farias, I. L.; Pacheco, E. P.; Lima Junior, J. L. S.; Viégas, P. R. A. (UFS e Embrapa Tabuleiros Costeiros). Intervalo hídrico ótimo (IHO) do horizonte AB de um Argissolo Amarelo de Tabuleiros Costeiros. Resumo expandido, XXXIII Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, 2011: limite de 2,0 MPa no intervalo hídrico ótimo, resistência que cai com a umidade e densidade crítica de 1,97 Mg/m³. alice.cnptia.embrapa.br
- Spera, S. T.; Magalhães, C. A. S.; Chitarra, L. G.; Galbieri, R.; Zolin, C. A. (Embrapa Agrossilvipastoril). Escarificação em áreas de lavouras e pastagens em Mato Grosso: quando e como efetuar. Circular Técnica 4, 2018: diagnóstico com histórico, trincheira e descarte de outras causas, os 10 sinais de campo, umidade para operar, profundidade de trabalho, espaço entre hastes, ensaio a 5 km/h, duração do efeito e plantas de cobertura. infoteca.cnptia.embrapa.br
- Conta da Safra. Custo horário de máquina, outubro de 2026: custo horário do trator 4x4 de 200 cv do exemplo (R$ 398,84 por hora, pelo método da Conab e da Fundação ABC) e o diesel S10 de R$ 7,36 por litro (ANP) usado na planilha; implemento sem motor como "outra máquina". Fontes de cada número na própria página. Custo horário de máquina
- Produtividade e preço de referência de cada cultura: Cepea, Consecana-SP, Conab, Imea e as outras fontes indicadas, de outubro de 2026. Detalhes e links de cada número em Dados de referência das culturas, do Conta da Safra.