Como a calculadora faz a conta
A calculadora soma os custos por hectare, divide pela produtividade e compara com o preço de venda, em três níveis de custo: caixa (COE), operacional (COT) e total (CT). Cada nível aparece por hectare, por saca e na área toda. A margem bruta é a receita menos o COE, a margem líquida é a receita menos o COT e o resultado econômico é a receita menos o CT.
O ponto de equilíbrio de cada nível é a produtividade que paga o custo ao seu preço e o preço que paga o custo à sua produtividade. Na leitura da CNA, receita acima do CT é lucro supernormal; igual ao CT, lucro normal; abaixo do COT e acima do COE, descapitalização; e abaixo do COE, atividade subsidiada. No arroz, a saca é de 50 kg de arroz em casca.
Atenção: os custos do arroz são premissa do portal. Irrigado (Rio Grande do Sul): o total é o custo médio de R$ 90 por saca citado pela Câmara Setorial do Arroz em fevereiro/2025 vezes 172,8 sacas por hectare; o custo oficial da safra 2025/26 não foi localizado. Sequeiro: não há fonte de custo; o exemplo usa o custo do milho do Imea e, por isso, dá prejuízo até no custo de caixa. Troque pelos seus números.
Os três níveis de custo
Institutos como a Conab, a CNA (projeto Campo Futuro) e o Imea, com o Senar-MT, organizam o custo de produção em camadas. Cada camada soma um grupo de custos à anterior.
- Custo de caixa (COE)
- Tudo o que você paga durante a safra: sementes ou mudas, fertilizantes, defensivos, operações com máquinas, mão de obra, juros do custeio, frete, armazenagem, impostos e as demais despesas. Se a terra é arrendada, o arrendamento também entra aqui. Quando a receita não cobre este nível, a safra fecha devendo.
- Custo operacional (COT)
- O caixa mais a depreciação de máquinas, implementos e benfeitorias. Mostra se a lavoura paga o desgaste do que você usa para produzir. A CNA e o Imea também somam aqui o pró-labore, a remuneração de quem administra a lavoura; na calculadora, ele fica dentro do campo de depreciações.
- Custo total (CT)
- O operacional mais a remuneração da terra e do capital. Em terra própria, a terra vale o quanto a área renderia se fosse arrendada, e o capital, o quanto o dinheiro investido em máquinas e em capital de giro renderia em outro uso (a CNA usa juros de 6% ao ano). Mostra se a lavoura rende mais do que a terra e o dinheiro renderiam em outro uso.
De onde vêm os custos de exemplo
- Irrigado, custo total (premissa com base em fonte): R$ 90 por saca (Câmara Setorial do Arroz, fev/2025) vezes 172,8 sc/ha, ou R$ 15.552,00 por hectare. O caixa é o total dividido por 1,50 (R$ 10.368,00) e o operacional, caixa × 1,09 (R$ 11.301,12).
- Sequeiro (premissa): o custo de caixa do milho do Imea de julho/2026 (R$ 5.504,27), com operacional × 1,09 e total × 1,30 (R$ 5.999,65 e R$ 7.155,55). Não há custo publicado de arroz de sequeiro.
- Divisão entre os grupos (premissa): as frações do milho do Imea de julho/2026, porque não há composição de custo do arroz.
- Produtividade e preço de exemplo: irrigado com 178 sc/ha (Irga, safra 2025/26, dado parcial) e sequeiro com 55 sc/ha (Conab, Minas Gerais), ao preço de R$ 82,06 por saca (Esalq/Senar-RS, 16/10/2026). Para o sequeiro, o portal usa o mesmo indicador, porque não há um próprio.
Perguntas frequentes
Quanto custa produzir um hectare de arroz irrigado?
No exemplo da calculadora, o custo de caixa é de R$ 10.368,00 por hectare, o operacional de R$ 11.301,12 e o total de R$ 15.552,00. Com 178 sacas por hectare, são R$ 58,25, R$ 63,49 e R$ 87,37 por saca. No sequeiro do exemplo, são R$ 5.504,27, R$ 5.999,65 e R$ 7.155,55 por hectare, ou R$ 100,08, R$ 109,08 e R$ 130,10 por saca com 55 sacas por hectare.
Por que o arroz de sequeiro dá prejuízo no exemplo?
Porque o exemplo junta o custo do milho de alta tecnologia de Mato Grosso (para 128 sacas por hectare) com a produtividade de 55 sacas por hectare do sequeiro de Minas Gerais e com o preço do arroz irrigado do Rio Grande do Sul. O resultado é um custo de caixa de R$ 100,08 por saca contra um preço de R$ 82,06. Um sequeiro de baixo insumo custa menos, mas não há fonte para esse custo: preencha os seus.
Por que o custo do arroz irrigado é premissa?
O portal não conseguiu abrir o custo do Irga da safra 2025/26. O número mais recente em reais que leu é o custo médio de R$ 90 por saca, citado em uma reunião da Câmara Setorial do Arroz em fevereiro/2025, e o único custo detalhado é o do Irga de 2019/20. Com a produtividade de 172,8 sacas por hectare, o custo total fica em R$ 15.552 por hectare. A produtividade do irrigado do Rio Grande do Sul varia bastante entre safras e painéis, e o custo por saca varia junto.
Qual é a diferença entre custo de caixa, operacional e total?
O custo de caixa (COE) é tudo o que sai do bolso no ano agrícola: sementes ou mudas, adubos, defensivos, máquinas, mão de obra, juros do custeio, frete, impostos e as demais despesas. O custo operacional (COT) soma ao caixa a depreciação de máquinas e benfeitorias. O custo total (CT) soma ainda a remuneração da terra e do capital. O caixa mostra se a lavoura se paga no ano; o operacional, se ela repõe o que se gasta; o total, se ela rende o que a terra e o dinheiro rendem em outro uso. A calculadora mostra os três, por hectare e por saca.
Em que produtividade e em que preço o arroz irrigado empata?
Com o preço de exemplo de R$ 82,06 por saca, a produtividade de equilíbrio é de 126,3 sc/ha no custo de caixa, 137,7 sc/ha no operacional e 189,5 sc/ha no total. Com a produtividade de exemplo de 178 sc/ha, o preço de equilíbrio é de R$ 58,25, R$ 63,49 e R$ 87,37 por saca. A tabela de cenários da calculadora cruza preço e produtividade para você ver quando o resultado muda de sinal.
E se a terra é arrendada?
Marque "Arrendada" no formulário e informe o aluguel por hectare, em reais ou na quantidade de produto. O arrendamento entra no custo de caixa e a remuneração da terra sai do custo total, porque o aluguel já paga a terra: contar os dois seria cobrar a terra em dobro.
Fontes
- Notícias Agrícolas. Câmara Setorial do Arroz debate custos de produção anunciados pela Conab. 18/02/2025. noticiasagricolas.com.br
- Revista Cultivar. Produtores do RS devem ter margens menores para próxima safra (levantamento da CNA com a Farsul e o Cepea). 05/08/2021. revistacultivar.com.br
- Revista Cultivar. Estudo mostra itens que mais pesam no custo de produção do arroz (Conab, Compêndio de Estudos, volume 4). 21/12/2016. revistacultivar.com.br
- Canal Rural. Imea: custos de produção de soja, milho e algodão sobem em julho em MT (Imea/Senar-MT, projeto CPA, referência de julho/2026). 18/08/2026. canalrural.com.br
- Revista Cultivar. Custos da soja e algodão recuam em MT (Imea e Senar-MT, levantamento de janeiro/2026). 20/02/2026. revistacultivar.com.br
- Conab, Gerência de Custos de Produção. Norma 30.302, Metodologia de Custo de Produção. Resolução Direx nº 017, de 14/08/2020. gov.br
- Sistema Faep. Boletim BI 1466: como calcular o custo de produção (metodologia do Campo Futuro, da CNA com o Cepea/Esalq). Março de 2019. sistemafaep.org.br
- Produtividade e preço de exemplo, com a fonte e a data de cada número, em Dados de referência das culturas, do Conta da Safra.