Conta da Safra

FerramentasMáquinas e operações

Quantos hectares por hora o seu conjunto faz de verdade?

Escolha a operação e o implemento e informe a largura, a velocidade, a passada e as paradas. A calculadora mostra a capacidade teórica e a efetiva, a eficiência de campo comparada com a faixa do implemento, os dias para cobrir a área na janela e quanto custa a hora perdida.

Largura vezes velocidade não é o que a máquina faz. Sobreposição, manobras de cabeceira, abastecimentos, descargas e paradas tiram uma parte do tempo. No exemplo da colheita de soja, a plataforma de 12,2 m a 5,5 km/h faria 6,71 ha/h; o conjunto faz 4,75 ha/h, ou 70,8%. Os valores de exemplo vêm de estudos e de premissas do portal: meça um dia de trabalho e compare.

Como a calculadora faz a conta

A capacidade teórica é a área que o conjunto cobriria andando sem parar e sem sobrepor passadas: largura vezes velocidade. A efetiva é a que ele faz de verdade, e a razão entre as duas é a eficiência de campo. A calculadora soma, por hectare, o tempo útil, o das manobras de cabeceira (uma por passada), o dos abastecimentos ou descargas (pelo tamanho do reservatório e pelo gasto por hectare) e o das outras paradas, e chega à eficiência como resultado. Depois divide a área pela capacidade efetiva, pelas horas úteis por dia e pelos dias com condição de trabalho. O custo da hora vem da calculadora de custo horário de máquina: as horas que a máquina passa além da capacidade teórica, vezes esse custo, são a hora perdida por hectare.

Faixas de referência por implemento

A faixa serve para conferir o resultado e para o ganho até a faixa. É a da tabela de Iowa State para cada implemento (Cotton Incorporated na colhedora de algodão). O alerta amarelo acende abaixo do menor piso das tabelas lidas. As medidas brasileiras andam mais devagar que as de Iowa e, na colheita de soja, ficaram abaixo da faixa de lá.

Faixa de eficiência de campo de referência e limite do alerta por implemento
ImplementoFaixa de referênciaAlerta abaixo deMedido no Brasil
Arado, subsolador ou escarificador83 a 85%70% (Corrêa, aradura)sem medida localizada
Grade80 a 83%70% (Corrêa, gradagem)sem medida localizada
Plantadeira de linhas, com adubo55 a 65%55%58,8 a 76,2% na soja e 69,4 a 80,7% no milho; 51,1% numa semeadora que parava para abastecer
Semeadora de grãos em linha68 a 70%65%sem medida localizada
Pulverizador autopropelido58 a 60%58%o reabastecimento foi 53% do tempo parado
Pulverizador de arrasto ou montado63 a 65%63%sem medida localizada
Colhedora de grãos com plataforma75 a 78%63%59,5 a 71,5% na soja; 50,8 a 77,6% no arroz irrigado
Colhedora com plataforma de milho75 a 82%63%sem medida localizada
Colhedora de algodão75 a 83%60%sem medida localizada
Colhedora de canasem faixa de tabelasem limite42,2% com passada de 100 m a 87,8% com 1.900 m

Acima de 90% a eficiência é improvável e o alerta fica vermelho. As manobras acima de 15% do tempo e o abastecimento ou a descarga acima de 20% acendem o amarelo; esses dois limites são premissas do portal.

O que é dado de fonte e o que é premissa

Esta conta estima quantos hectares por hora e quantos dias o seu conjunto precisa, com os tempos que você informa. Os valores de exemplo vêm de estudos e de premissas do portal e não medem a sua máquina. Para decidir sobre compra, contratação ou prazo, meça um dia de trabalho (hectares feitos divididos pelas horas de relógio dentro do talhão) e compare com o resultado. O volume de calda e as taxas de semente e adubo são entradas para a conta, e não recomendação: use os do seu agrônomo.

Perguntas frequentes

Por que o meu conjunto faz menos do que largura × velocidade?

Porque essa conta, a capacidade teórica, supõe a máquina andando sem parar e sem sobrepor passadas. No campo entram a sobreposição, as manobras de cabeceira, o reabastecimento de semente, adubo ou calda, a descarga de grãos e as paradas. No exemplo da colheita de soja, a plataforma de 12,2 m a 5,5 km/h daria 6,71 ha/h; descontadas as perdas, o conjunto faz 4,75 ha/h, ou 70,75%. Em medidas brasileiras, a eficiência foi de 51,1% a 80,7% no plantio e de 50,8% a 77,6% na colheita de arroz.

Capacidade efetiva, operacional e eficiência de tempo são a mesma coisa?

Não. A eficiência de campo é a capacidade efetiva dividida pela teórica. A eficiência de tempo é a parte do tempo em que a máquina trabalha de fato; a de campo é essa parte vezes o aproveitamento da largura. Algumas fontes brasileiras chamam de "operacional" a capacidade medida no campo, que aqui é a efetiva: confira a definição de cada fonte antes de comparar números.

Quanto custa a hora perdida?

Com a hora da colhedora a R$ 1.643,67 (colhedora axial de 310 a 390 cv com 300 horas por ano, na calculadora de custo horário), cada hectare do exemplo custa R$ 346,23. Sem as perdas custaria R$ 244,96: a diferença, R$ 101,27 por hectare, é o valor das horas além da capacidade teórica, ou R$ 151.901 nos 1.500 ha. Subir a eficiência de 70,75% para 75%, o piso da faixa de Iowa State para colhedora, poupa 17,9 horas, 2,6 dias de calendário e R$ 29.422 ao custo da hora inteira. Só a parte variável (diesel, manutenção e operador, cerca de 40% da hora dessa colhedora) é dinheiro que sai do bolso; o resto é máquina livre para mais área.

O tamanho e o formato do talhão mudam muito o resultado?

Mudam, principalmente com máquina larga e lenta. Numa colhedora de cana, a eficiência foi de 87,8% com passada de 1.900 m a 42,2% com passada de 100 m, e as manobras foram de 6,4% a 57,8% do tempo. No exemplo da soja, a passada de 200 m em vez de 800 m tira 7,7 pontos de eficiência e soma 5,5 dias de calendário.

Quantas horas por dia e quantos dias do calendário posso contar?

Conte as horas em que a máquina trabalha dentro do talhão, sem o que se perde com manutenção, deslocamento e horários sem condição. O exemplo usa 10 horas por dia na colheita de soja, 12 no plantio e 8 na pulverização, e 70% dos dias do calendário com condição de trabalho, que são premissas do portal. No exemplo, de 70% para 60% dos dias, o prazo vai de 45,1 para 52,7 dias.

Como meço a eficiência do meu conjunto?

Num dia normal, anote os hectares feitos e as horas de relógio dentro do talhão, da primeira à última passada, com manobras, abastecimentos e paradas. Capacidade efetiva = hectares ÷ horas; eficiência = capacidade efetiva ÷ capacidade teórica. Para a velocidade, marque 26,8 m no talhão e cronometre: km/h = 96,56 ÷ segundos (17,6 s dão 5,5 km/h). Repita em mais de um dia e de um talhão, porque a mesma máquina variou de 59,5% a 71,5% de um talhão para outro.

Fontes

  1. Hanna, M. (Iowa State University Extension and Outreach). Estimating Field Capacity of Farm Machines (PM 696; equações de capacidade, definição de eficiência de campo, Tabela 1 com velocidade e eficiência por máquina, efeito da descarga parada e o método dos 88 pés para medir a velocidade). Revisada em maio de 2016. store.extension.iastate.edu
  2. Corrêa, A. A. M. Rendimento e despesas no emprêgo de tratores e implementos agrícolas (Estudos Técnicos n. 38; coeficientes de eficiência e velocidades por operação, como aradura de 70 a 85% e gradagem de 70 a 90%). Ministério da Agricultura, 1967. repositorio-dspace.agricultura.gov.br
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  4. Rosin, M. Capacidade e eficiência operacional nas operações de semeadura e colheita de grãos em diferentes talhões (eficiência, velocidade, tempos de manobra, de reabastecimento e de descarga, e outras paradas, na semeadura e na colheita de soja e milho). TCC, Universidade Federal da Fronteira Sul, 2017. rd.uffs.edu.br
  5. Ramos, C. R. G.; Lanças, K. P.; Santos, R. S.; Martins, M. B.; Sandi, J. Eficiência e demanda energética de uma colhedora de cana-de-açúcar em talhões de diferentes comprimentos (velocidade, capacidades, eficiência, manobras e espera do transbordo em passadas de 100 a 1.900 m). Energia na Agricultura, v. 31, n. 2, 2016. revistas.fca.unesp.br
  6. Machado, T. M.; Queiroz, D. G. B.; Reynaldo, É. F. Desempenho operacional na pulverização (vazões de abastecimento de 330 e 470 L/min e o reabastecimento como 53% do tempo de interrupção). Revista Cultivar Máquinas, n. 182, março de 2018. revistacultivar.com.br
  7. Revista Cultivar. Pulverizador agrícola: por que investir em autopropelidos (conteúdo de fabricante; exemplos de 12 a 18 km/h e barras de 24 a 36 m, sem medida de ensaio). 11/12/2025. revistacultivar.com.br
  8. Moura, F. S.; Ormond, A. T. S.; Franco, A. A. N.; Brandão, F. J. B. Avaliação de semeadoras mecânicas e sua eficiência no campo (plantadeira de 14 linhas a 6,5 km/h em média). Revista Cultivar, 11/02/2025. revistacultivar.com.br
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  10. Dumitru, M. (Lucian Blaga University of Sibiu). Studies over agricultural machines performances (Tabela 1, faixas típicas de eficiência: plantadeira de linhas 55 a 78%, semeadora de grãos 65 a 80%, colhedora 63 a 90%; sem ano). rjas.ro
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  15. Conta da Safra. Custo horário de máquina (custo da hora do trator de 200 cv, da colhedora axial, do pulverizador de 30 m e da colhedora de cana, usados como exemplo). Outubro de 2026. custo-horario-maquina.html
  16. Conta da Safra. Referências das culturas (produtividade e peso da unidade de venda de cada cultura, com a fonte e a data de cada número). Outubro de 2026. referencias-culturas.html