Conta da Safra

FerramentasClima e ambiente

Quanto uma geada pode tirar da sua lavoura?

Digite a mínima prevista para a noite, a fase da lavoura, a produtividade e o preço. A calculadora estima a temperatura na relva, o dano pela temperatura que mata a planta na fase, a perda em sacas e em reais, por hectare e no talhão, e quanto isso pesa por ano pela chance de geada da região. No feijão, conta também os dias de calor na florada.

Estimativa para planejar, não previsão nem laudo. A perda real depende da duração do frio, do vento, da umidade, do estado da lavoura e da cultivar. Acompanhe os avisos do INMET e do órgão do seu estado (links em Alertas e dados oficiais) e converse com o seu agrônomo.

Os números marcados como premissa são valores de partida, sem fonte, e podem ser mudados no formulário: a perda máxima de cada fase, a chance de 29% ao ano, o frio a mais na baixada, a faixa de transição do dano, o nível de cobertura do seguro e, no feijão, a perda por dia de calor. A diferença de 4 °C entre o abrigo e a relva é a média da Esalq: mude se tiver medição sua. No milho, as datas das fases podem vir da ferramenta Graus-dia.

Como a calculadora faz a conta

A conta tem quatro passos. Primeiro, passa da temperatura do abrigo para a da planta: a previsão e as estações medem a mínima no abrigo, a 1,5 a 2 m do chão, e em noite de geada a relva fica, em média, 4 °C mais fria; na baixada, onde o ar frio se acumula, a conta põe mais 2 °C de frio. Depois compara a relva com a temperatura que mata a planta naquela fase, da tabela da Esalq: 1 °C acima dela o dano começa, nela vale metade da perda máxima da fase e 1 °C abaixo vale a perda máxima inteira. Em seguida, converte o dano em sacas e em reais, por hectare e no talhão. Por fim, multiplica pela chance de geada da região para ter a perda média por ano, que é o número para comparar com o custo do seguro ou de mudar a época de plantio. No milho, a fase pode sair da data: com as datas do florescimento e da maturação, que a ferramenta Graus-dia estima, a calculadora descobre em que fase a lavoura estará na noite fria. No feijão, conta os dias com máxima de 36 °C ou mais na florada, o critério do ZARC. As contas abaixo usam os números do formulário.

Estimativa para planejar. A perda real depende da duração do frio, do vento, da umidade, do estado da lavoura e da cultivar. A conta é de uma noite: duas geadas seguidas, ou uma na floração e outra no enchimento, não se somam sozinhas; rode de novo com a produção que sobrou. A temperatura letal é uma média da planta, e a geada negra (ar seco, sem gelo visível) costuma ser mais severa que a branca: a calculadora não separa as duas. Na geada de vento, a diferença entre o abrigo e a relva tende a ser menor. No café, a perda cai na safra seguinte e se mistura com a bienalidade. A falta de água, que costuma vir junto com o calor, é conta da ferramenta de balanço hídrico. A calculadora não substitui o aviso oficial, o laudo do perito do seguro nem o agrônomo, e não indica produto, cultivar nem marca.

Temperatura que mata a planta, por fase

As temperaturas letais são da tabela da Esalq, que dá três fases das culturas anuais (germinação, floração e frutificação) e um número para o cafeeiro e a laranjeira; a do tronco do café jovem é do IDR-Paraná. A ligação de cada fase a uma coluna da tabela é do Conta da Safra. A perda máxima de cada fase não tem número nas fontes abertas: é premissa do portal, com o motivo ao lado. O único número medido que achamos é o do milho safrinha no Mato Grosso do Sul, depois da geada de 2011: a posição baixa do talhão rendeu 17% menos que a alta (Embrapa).

Temperatura letal e perda máxima de cada fase das culturas, com a origem
CulturaFaseTemperatura letalPerda máximaDe onde vem
MilhoVegetativo, até o pendoamento−2 °C20%Esalq, germinação. Perda máxima: premissa (o ponto de crescimento fica protegido no começo e a planta rebrota; perde-se folha).
Pendoamento e espigamento (VT a R1)−2 °C60%Esalq, floração; INMET: abaixo de 2 °C no abrigo. Perda máxima: premissa (é a fase em que o número de grãos se define).
Grão leitoso (R2 e R3)−3 °C50%Esalq, frutificação. Perda máxima: premissa (a folha morta para o enchimento com o grão ainda com pouca matéria seca).
Grão pastoso a farináceo (R4 e R5)−3 °C25%Esalq, frutificação. Perda máxima: premissa (boa parte do peso do grão já está feita; os 17% medidos na baixada pela Embrapa ficam entre esta fase e a anterior).
Maturação fisiológica (R6)sem letal0%Premissa do portal: com a camada preta formada, o grão não recebe mais nada da planta.
TrigoEmergência ao perfilhamento−9 °C10%Esalq, germinação. Perda máxima: premissa (muito tolerante nessa fase).
Espigamento e floração−2 °C60%Esalq, floração. Perda máxima: premissa (a flor congelada não forma grão).
Grão leitoso a massa−4 °C30%Esalq, frutificação. Perda máxima: premissa (o grão já está em formação).
Maturaçãosem letal0%Premissa do portal: como no milho, o grão maduro não perde mais.
FeijãoVegetativo−5 °C30%Esalq, germinação. Perda máxima: premissa (ciclo curto: pouco tempo para recuperar a folha).
Floração−3 °C70%Esalq, floração; INMET cita 3,5 °C na floração como dano severo. Perda máxima: premissa (a flor é a parte mais sensível de uma cultura sensível ao frio).
Vagens e enchimento−4 °C40%Esalq, frutificação. Perda máxima: premissa (parte dos grãos já está formada).
SojaVegetativo−3 °C20%Esalq (igual nas três fases). Perda máxima: premissa (a planta ainda refaz a folha).
Floração−3 °C50%Esalq. Perda máxima: premissa (o número de vagens está em formação).
Enchimento de grãos−3 °C40%Esalq. Perda máxima: premissa (o peso do grão está em formação).
CaféLavoura em formação (planta jovem)−2 °C100%IDR-Paraná: o tronco morre a partir de −2 °C. Perda máxima: premissa (a morte do tronco perde a planta jovem; sem conta em sacas).
Lavoura adulta, no inverno−4 °C50%Esalq (cafeeiro); IDR-Paraná: folha de −3 a −4 °C. Perda máxima: premissa (a geada queima a folha e o ramo novo, que carregam a produção do ano seguinte; perda total só com a morte dos ramos).
Laranja e citrosPlanta adulta−5 °C30%Esalq (laranjeira). Perda máxima: premissa (a mais tolerante da lista; a perda é do fruto congelado na planta).

Cana-de-açúcar e tomate ficam de fora: as fontes públicas abertas não trouxeram a temperatura letal nem a perda por geada dessas culturas. O calor só tem conta no feijão, o único com limite em fonte aberta (máxima de 36 °C ou mais no florescimento, critério do ZARC).

O que é premissa nesta calculadora

O que não tem fonte é do Conta da Safra, aparece como premissa e pode ser trocado no formulário:

Alertas e dados oficiais

A calculadora não busca a previsão sozinha: você digita a mínima prevista. A temperatura das estações e da previsão é a do abrigo; a da relva, só com termômetro próprio no chão. Os endereços abaixo foram tirados das fontes em 25/10/2026 e precisam ser conferidos antes de usar.

Como reduzir o risco

As medidas gerais que as fontes citam, sem produto:

Seguro rural e ZARC

O ZARC sai em portarias do MAPA por cultura, estado e safra, com os níveis de risco de 20%, 30% e 40% e a semeadura em decêndios; os municípios e as datas indicadas ficam no Painel de Indicação de Riscos do MAPA. Os critérios mudam por cultura: no feijão da Paraíba, por exemplo, entram a máxima de 36 °C ou mais no florescimento, a média abaixo de 19 °C no florescimento e o excesso de água no fim do ciclo. Os critérios de geada do ZARC do milho 2ª safra, do trigo e do café não foram abertos nesta pesquisa.

O ZARC diz quando plantar com até 20%, 30% ou 40% de risco; esta calculadora diz quanto custa uma geada se ela vier e quanto isso pesa por ano. Uma semeadura fora da janela aparece aqui como fase sensível caindo em junho e julho. Compare a perda média por ano com o que o seguro custa por hectare, depois da subvenção, e com a parte da perda que fica sem cobertura. A conta da indenização é só uma ilustração: o que o seguro paga sai da apólice e do laudo do perito. A ligação do Proagro e da subvenção ao seguro com o ZARC está na ferramenta Janela de plantio; confirme com o seu banco ou corretor.

Perguntas frequentes

Por que a calculadora tira 4 °C da previsão?

Porque a previsão e as estações medem a temperatura no abrigo, a mais ou menos 1,5 m do chão, e em noite de geada a relva fica em média 4 °C mais fria (Esalq). Por isso uma previsão de 2 °C já é noite de geada para a lavoura. Se você tiver termômetro no chão, escolha "Termômetro na relva" e digite a mínima medida.

Geada branca é pior que geada negra?

Não. A negra, com ar seco e sem gelo visível, costuma ser mais severa; na branca, o congelamento do orvalho solta calor e segura um pouco a temperatura (Esalq).

Meu talhão fica numa baixada. Muda muito?

Muda. O ar frio escorre e se acumula nas partes baixas (Esalq, IDR-Paraná). No MS, depois da geada de 2011, o milho safrinha da posição baixa rendeu 17% menos que o da posição alta (Embrapa). A calculadora põe 2 °C a mais de frio na baixada, premissa que você pode mudar.

Irrigar protege o café da geada?

A aspersão protege enquanto a água congela sobre a planta, e desligar no meio da noite piora o dano (Esalq). A lâmina e a hora de ligar vêm do projeto de irrigação e do agrônomo. Para a muda nova, as fontes do Paraná descrevem o enterrio e o chegamento de terra no tronco (IDR-Paraná).

A calculadora serve para acionar o seguro?

Não. Ela estima a perda para você planejar e comparar com o custo do seguro. O que o seguro paga sai da apólice e do laudo do perito. Plantar dentro da janela do ZARC da sua cultura e do seu município é o primeiro passo.

Por que não tem cana nem tomate?

Porque as fontes públicas abertas não trouxeram a temperatura letal nem a perda por geada dessas culturas. Elas entram quando houver número com fonte.

Fontes

  1. Sentelhas, P. C.; Angelocci, L. R. (Esalq/USP). Geada: ocorrência, prevenção e controle (Aula 12, LCE 306, Meteorologia Agrícola), 2012: diferença média de 4 °C entre o abrigo e a relva, geada agronômica abaixo de 2 °C no abrigo, tabela de temperaturas letais, classes de intensidade, tipos de geada, relevo, cobertura do solo, métodos de proteção e número de geadas no Paraná. esalq.usp.br
  2. INMET. Onda de frio: geada e possíveis impactos na agricultura brasileira, 17/05/2022: milho abaixo de 2 °C no florescimento, feijão a 3,5 °C na floração, café abaixo de 0 °C no abrigo; links do Sisdagro, dos avisos, do RSS, do mapa de geadas e dos informativos. portal.inmet.gov.br
  3. Caramori, P. H. et al. (IDR-Paraná). Métodos de proteção contra geadas em cafezais em formação (sem data no texto): folha do cafeeiro de −3 a −4 °C e tronco a partir de −2 °C, superfície 3 a 4 °C mais fria que a copa, classes do zoneamento, enterrio, chegamento de terra, arborização, quebra-vento, posição no relevo e face do terreno. idrparana.pr.gov.br
  4. Ceccon, G.; Sereia, R. C.; Alves, V. B.; Soares, R. B. (Embrapa Agropecuária Oeste). Geada em lavouras de milho safrinha (dados de 2011): 5.086 kg/ha na posição alta e 4.230 kg/ha na baixa depois da geada no MS, corredores de geada e época de semeadura até 15 de março. alice.cnptia.embrapa.br
  5. MAPA, Secretaria de Política Agrícola. Portaria SPA/MAPA nº 230, de 28 de maio de 2025: ZARC do feijão em sequeiro na Paraíba, safra 2025/2026 (DOU de 30/05/2025): máxima de 36 °C ou mais no florescimento, média abaixo de 19 °C no florescimento, níveis de risco de 20, 30 e 40% e Painel de Indicação de Riscos. gov.br/agricultura
  6. Agrolink, com informações do IDR-Paraná. IDR-Paraná e Simepar iniciam edição 2026 do Alerta Geada, 04/05/2026: 32ª edição, de maio a setembro, boletins diários e alertas antecipados; cobertura das mudas e terra no tronco do café jovem. agrolink.com.br
  7. Conab. Boletim da Safra de Grãos, 12º levantamento, safra 2025/26, setembro de 2026: produtividade média nacional do milho 2ª safra, 6.291 kg/ha (104,9 sc/ha, conta do portal), usada no exemplo do milho. gov.br/conab
  8. Conta da Safra. Dados de referência das culturas: produtividades médias de exemplo (Conab: trigo 49,6, soja 61,85 e café arábica 30,8 sc/ha; Fundecitrus: 719 cx/ha; feijão 40 sc/ha, premissa), preços de 15 e 16/10/2026 (Cepea) e unidades de venda, com a fonte de cada número. referencias-culturas.html
  9. Conta da Safra. Graus-dia: datas do florescimento (22/05/2027) e da maturação (10/08/2027) do milho safrinha semeado em 10/03/2027, usadas no exemplo. graus-dia.html