Como a calculadora faz a conta
A conta tem quatro passos. Primeiro, passa da temperatura do abrigo para a da planta: a previsão e as estações medem a mínima no abrigo, a 1,5 a 2 m do chão, e em noite de geada a relva fica, em média, 4 °C mais fria; na baixada, onde o ar frio se acumula, a conta põe mais 2 °C de frio. Depois compara a relva com a temperatura que mata a planta naquela fase, da tabela da Esalq: 1 °C acima dela o dano começa, nela vale metade da perda máxima da fase e 1 °C abaixo vale a perda máxima inteira. Em seguida, converte o dano em sacas e em reais, por hectare e no talhão. Por fim, multiplica pela chance de geada da região para ter a perda média por ano, que é o número para comparar com o custo do seguro ou de mudar a época de plantio. No milho, a fase pode sair da data: com as datas do florescimento e da maturação, que a ferramenta Graus-dia estima, a calculadora descobre em que fase a lavoura estará na noite fria. No feijão, conta os dias com máxima de 36 °C ou mais na florada, o critério do ZARC. As contas abaixo usam os números do formulário.
Estimativa para planejar. A perda real depende da duração do frio, do vento, da umidade, do estado da lavoura e da cultivar. A conta é de uma noite: duas geadas seguidas, ou uma na floração e outra no enchimento, não se somam sozinhas; rode de novo com a produção que sobrou. A temperatura letal é uma média da planta, e a geada negra (ar seco, sem gelo visível) costuma ser mais severa que a branca: a calculadora não separa as duas. Na geada de vento, a diferença entre o abrigo e a relva tende a ser menor. No café, a perda cai na safra seguinte e se mistura com a bienalidade. A falta de água, que costuma vir junto com o calor, é conta da ferramenta de balanço hídrico. A calculadora não substitui o aviso oficial, o laudo do perito do seguro nem o agrônomo, e não indica produto, cultivar nem marca.
Temperatura que mata a planta, por fase
As temperaturas letais são da tabela da Esalq, que dá três fases das culturas anuais (germinação, floração e frutificação) e um número para o cafeeiro e a laranjeira; a do tronco do café jovem é do IDR-Paraná. A ligação de cada fase a uma coluna da tabela é do Conta da Safra. A perda máxima de cada fase não tem número nas fontes abertas: é premissa do portal, com o motivo ao lado. O único número medido que achamos é o do milho safrinha no Mato Grosso do Sul, depois da geada de 2011: a posição baixa do talhão rendeu 17% menos que a alta (Embrapa).
| Cultura | Fase | Temperatura letal | Perda máxima | De onde vem |
|---|---|---|---|---|
| Milho | Vegetativo, até o pendoamento | −2 °C | 20% | Esalq, germinação. Perda máxima: premissa (o ponto de crescimento fica protegido no começo e a planta rebrota; perde-se folha). |
| Pendoamento e espigamento (VT a R1) | −2 °C | 60% | Esalq, floração; INMET: abaixo de 2 °C no abrigo. Perda máxima: premissa (é a fase em que o número de grãos se define). | |
| Grão leitoso (R2 e R3) | −3 °C | 50% | Esalq, frutificação. Perda máxima: premissa (a folha morta para o enchimento com o grão ainda com pouca matéria seca). | |
| Grão pastoso a farináceo (R4 e R5) | −3 °C | 25% | Esalq, frutificação. Perda máxima: premissa (boa parte do peso do grão já está feita; os 17% medidos na baixada pela Embrapa ficam entre esta fase e a anterior). | |
| Maturação fisiológica (R6) | sem letal | 0% | Premissa do portal: com a camada preta formada, o grão não recebe mais nada da planta. | |
| Trigo | Emergência ao perfilhamento | −9 °C | 10% | Esalq, germinação. Perda máxima: premissa (muito tolerante nessa fase). |
| Espigamento e floração | −2 °C | 60% | Esalq, floração. Perda máxima: premissa (a flor congelada não forma grão). | |
| Grão leitoso a massa | −4 °C | 30% | Esalq, frutificação. Perda máxima: premissa (o grão já está em formação). | |
| Maturação | sem letal | 0% | Premissa do portal: como no milho, o grão maduro não perde mais. | |
| Feijão | Vegetativo | −5 °C | 30% | Esalq, germinação. Perda máxima: premissa (ciclo curto: pouco tempo para recuperar a folha). |
| Floração | −3 °C | 70% | Esalq, floração; INMET cita 3,5 °C na floração como dano severo. Perda máxima: premissa (a flor é a parte mais sensível de uma cultura sensível ao frio). | |
| Vagens e enchimento | −4 °C | 40% | Esalq, frutificação. Perda máxima: premissa (parte dos grãos já está formada). | |
| Soja | Vegetativo | −3 °C | 20% | Esalq (igual nas três fases). Perda máxima: premissa (a planta ainda refaz a folha). |
| Floração | −3 °C | 50% | Esalq. Perda máxima: premissa (o número de vagens está em formação). | |
| Enchimento de grãos | −3 °C | 40% | Esalq. Perda máxima: premissa (o peso do grão está em formação). | |
| Café | Lavoura em formação (planta jovem) | −2 °C | 100% | IDR-Paraná: o tronco morre a partir de −2 °C. Perda máxima: premissa (a morte do tronco perde a planta jovem; sem conta em sacas). |
| Lavoura adulta, no inverno | −4 °C | 50% | Esalq (cafeeiro); IDR-Paraná: folha de −3 a −4 °C. Perda máxima: premissa (a geada queima a folha e o ramo novo, que carregam a produção do ano seguinte; perda total só com a morte dos ramos). | |
| Laranja e citros | Planta adulta | −5 °C | 30% | Esalq (laranjeira). Perda máxima: premissa (a mais tolerante da lista; a perda é do fruto congelado na planta). |
Cana-de-açúcar e tomate ficam de fora: as fontes públicas abertas não trouxeram a temperatura letal nem a perda por geada dessas culturas. O calor só tem conta no feijão, o único com limite em fonte aberta (máxima de 36 °C ou mais no florescimento, critério do ZARC).
O que é premissa nesta calculadora
O que não tem fonte é do Conta da Safra, aparece como premissa e pode ser trocado no formulário:
- A perda máxima de cada fase (tabela acima): nenhuma fonte aberta deu a perda de produtividade por fase e por intensidade de geada. A página avisa "Perda máxima de exemplo" enquanto ela for a do exemplo.
- A chance de geada. As classes são do zoneamento do café do IDR-Paraná: até 1 geada a cada 4 anos (25% ao ano), 1 a cada 3 a 4 anos e pelo menos 1 a cada 2 anos (50%). O 29% é o meio da faixa do meio. Usá-las em outra cultura ou outro estado é aproximação; com o seu histórico, escolha "A minha conta". A média por ano supõe que, quando gear, a geada tem a força digitada.
- A diferença abrigo–relva de 4 °C é a média da Esalq nas noites de geada de céu limpo e sem vento; o IDR-Paraná fala em 3 a 4 °C. O frio a mais na baixada (2 °C) é premissa: as fontes dizem que a baixada gia mais, sem dar quantos graus.
- A faixa de transição do dano (2 °C em volta da temperatura letal): a temperatura letal é uma média da planta, e as folhas de cima ficam mais quentes que a relva.
- O seguro: a conta da indenização é a forma usual do seguro de produtividade, que paga o que falta para a produção garantida, e não foi lida em fonte; o nível de cobertura de 65% é de exemplo. O que vale é a apólice.
- No milho pelas datas: o florescimento de 3 dias antes a 7 dias depois da data e o fim do grão leitoso em 0,45 do período entre o florescimento e a maturação. As fontes não dão a duração das fases em dias.
- No feijão: a perda de 3% por dia de calor na florada e o teto de 30%. O limite de 36 °C é do ZARC.
- Os exemplos: as noites, as datas da noite, as áreas, as máximas da florada do feijão e a produtividade do feijão (40 sc/ha). As datas do florescimento e da maturação do milho são as do exemplo da ferramenta Graus-dia.
Alertas e dados oficiais
A calculadora não busca a previsão sozinha: você digita a mínima prevista. A temperatura das estações e da previsão é a do abrigo; a da relva, só com termômetro próprio no chão. Os endereços abaixo foram tirados das fontes em 25/10/2026 e precisam ser conferidos antes de usar.
- INMET, previsão de geada para 5 dias (Sisdagro): sisdagro.inmet.gov.br/sisdagro/app/previsao/geada; o portal do Sisdagro é sisdagro.inmet.gov.br/sisdagro. A conferir.
- INMET, avisos meteorológicos: avisos.inmet.gov.br, também por RSS em apiprevmet3.inmet.gov.br/avisos/rss. A conferir.
- INMET, mapa de geadas: portal.inmet.gov.br/paginas/geadas; boletins e informativos em portal.inmet.gov.br/informativos. A conferir.
- Paraná, Alerta Geada do IDR-Paraná e do Simepar: de maio a setembro, com boletins diários e alertas antecipados nos dias de maior risco (32ª edição em 2026). Os canais para receber não estavam no material lido: confira no site do IDR-Paraná.
- Outros estados: a Epagri/Ciram (SC), o Ciiagro/IAC (SP) e o Agritempo (Embrapa) têm estações e boletins agrometeorológicos, mas não foram abertos nesta pesquisa.
- Para calcular a chance de geada da sua região, o caminho é a série histórica das estações do INMET (BDMEP), cuja página não foi aberta nesta pesquisa, ou o registro das geadas da sua fazenda. Os números de geadas por cidade do Paraná (Guarapuava 130 em 10 anos, Londrina 18) contam noites, não anos com geada: servem para comparar lugares, não para preencher a chance direto.
Como reduzir o risco
As medidas gerais que as fontes citam, sem produto:
- Escolha da área e posição na paisagem. Plantar nas partes altas, não nas baixadas; a meia encosta e o espigão sofrem menos (Esalq). No milho safrinha, evitar os "corredores de geada" (Embrapa). No café, terreno com mais de 5% de declive, entre o topo do espigão e a meia encosta, de preferência na face norte, evitando as faces sul e sudoeste (IDR-Paraná).
- Época de semeadura. Fazer o florescimento e o enchimento de grãos fugirem dos meses de maior risco (Esalq). Na safrinha, atrasar a semeadura empurra o florescimento e o enchimento para junho e julho; no MS, a época citada para o milho safrinha é até 15 de março, e nas posições baixas a fonte sugere semear mais cedo (Embrapa). No trigo vale o contrário: o espigamento deve cair depois dos meses de geada (Esalq). A janela de cada município sai do ZARC; a ferramenta Janela de plantio mostra quanto custa semear mais tarde.
- Deixar o ar frio escorrer. Tirar os obstáculos à drenagem do ar frio; mata alta abaixo da lavoura segura o ar frio (Esalq). No café arborizado, tirar os galhos baixos das árvores e ter quebra-vento cortando o sudoeste, de onde vem o vento frio (IDR-Paraná).
- Solo das entrelinhas. Solo nu guarda e devolve mais calor; palhada e mato baixo aumentam o resfriamento junto ao chão (Esalq).
- Café em formação. O IDR-Paraná descreve o enterrio das mudas novas, o chegamento de terra no tronco contra a geada de canela, a cobertura com palha e a arborização.
- Irrigação por aspersão. Protege enquanto a água congela sobre a planta, porque o congelamento libera calor; desligar antes do degelo piora o dano (Esalq). A lâmina e a hora de ligar e desligar vêm do projeto de irrigação e do agrônomo.
- Produtos nas folhas. A aplicação de nutrientes ou de outros produtos nas folhas contra a geada não tem eficácia comprovada (Esalq). A calculadora não indica produto, cultivar nem marca.
Seguro rural e ZARC
O ZARC sai em portarias do MAPA por cultura, estado e safra, com os níveis de risco de 20%, 30% e 40% e a semeadura em decêndios; os municípios e as datas indicadas ficam no Painel de Indicação de Riscos do MAPA. Os critérios mudam por cultura: no feijão da Paraíba, por exemplo, entram a máxima de 36 °C ou mais no florescimento, a média abaixo de 19 °C no florescimento e o excesso de água no fim do ciclo. Os critérios de geada do ZARC do milho 2ª safra, do trigo e do café não foram abertos nesta pesquisa.
O ZARC diz quando plantar com até 20%, 30% ou 40% de risco; esta calculadora diz quanto custa uma geada se ela vier e quanto isso pesa por ano. Uma semeadura fora da janela aparece aqui como fase sensível caindo em junho e julho. Compare a perda média por ano com o que o seguro custa por hectare, depois da subvenção, e com a parte da perda que fica sem cobertura. A conta da indenização é só uma ilustração: o que o seguro paga sai da apólice e do laudo do perito. A ligação do Proagro e da subvenção ao seguro com o ZARC está na ferramenta Janela de plantio; confirme com o seu banco ou corretor.
Perguntas frequentes
Por que a calculadora tira 4 °C da previsão?
Porque a previsão e as estações medem a temperatura no abrigo, a mais ou menos 1,5 m do chão, e em noite de geada a relva fica em média 4 °C mais fria (Esalq). Por isso uma previsão de 2 °C já é noite de geada para a lavoura. Se você tiver termômetro no chão, escolha "Termômetro na relva" e digite a mínima medida.
Geada branca é pior que geada negra?
Não. A negra, com ar seco e sem gelo visível, costuma ser mais severa; na branca, o congelamento do orvalho solta calor e segura um pouco a temperatura (Esalq).
Meu talhão fica numa baixada. Muda muito?
Muda. O ar frio escorre e se acumula nas partes baixas (Esalq, IDR-Paraná). No MS, depois da geada de 2011, o milho safrinha da posição baixa rendeu 17% menos que o da posição alta (Embrapa). A calculadora põe 2 °C a mais de frio na baixada, premissa que você pode mudar.
Irrigar protege o café da geada?
A aspersão protege enquanto a água congela sobre a planta, e desligar no meio da noite piora o dano (Esalq). A lâmina e a hora de ligar vêm do projeto de irrigação e do agrônomo. Para a muda nova, as fontes do Paraná descrevem o enterrio e o chegamento de terra no tronco (IDR-Paraná).
A calculadora serve para acionar o seguro?
Não. Ela estima a perda para você planejar e comparar com o custo do seguro. O que o seguro paga sai da apólice e do laudo do perito. Plantar dentro da janela do ZARC da sua cultura e do seu município é o primeiro passo.
Por que não tem cana nem tomate?
Porque as fontes públicas abertas não trouxeram a temperatura letal nem a perda por geada dessas culturas. Elas entram quando houver número com fonte.
Fontes
- Sentelhas, P. C.; Angelocci, L. R. (Esalq/USP). Geada: ocorrência, prevenção e controle (Aula 12, LCE 306, Meteorologia Agrícola), 2012: diferença média de 4 °C entre o abrigo e a relva, geada agronômica abaixo de 2 °C no abrigo, tabela de temperaturas letais, classes de intensidade, tipos de geada, relevo, cobertura do solo, métodos de proteção e número de geadas no Paraná. esalq.usp.br
- INMET. Onda de frio: geada e possíveis impactos na agricultura brasileira, 17/05/2022: milho abaixo de 2 °C no florescimento, feijão a 3,5 °C na floração, café abaixo de 0 °C no abrigo; links do Sisdagro, dos avisos, do RSS, do mapa de geadas e dos informativos. portal.inmet.gov.br
- Caramori, P. H. et al. (IDR-Paraná). Métodos de proteção contra geadas em cafezais em formação (sem data no texto): folha do cafeeiro de −3 a −4 °C e tronco a partir de −2 °C, superfície 3 a 4 °C mais fria que a copa, classes do zoneamento, enterrio, chegamento de terra, arborização, quebra-vento, posição no relevo e face do terreno. idrparana.pr.gov.br
- Ceccon, G.; Sereia, R. C.; Alves, V. B.; Soares, R. B. (Embrapa Agropecuária Oeste). Geada em lavouras de milho safrinha (dados de 2011): 5.086 kg/ha na posição alta e 4.230 kg/ha na baixa depois da geada no MS, corredores de geada e época de semeadura até 15 de março. alice.cnptia.embrapa.br
- MAPA, Secretaria de Política Agrícola. Portaria SPA/MAPA nº 230, de 28 de maio de 2025: ZARC do feijão em sequeiro na Paraíba, safra 2025/2026 (DOU de 30/05/2025): máxima de 36 °C ou mais no florescimento, média abaixo de 19 °C no florescimento, níveis de risco de 20, 30 e 40% e Painel de Indicação de Riscos. gov.br/agricultura
- Agrolink, com informações do IDR-Paraná. IDR-Paraná e Simepar iniciam edição 2026 do Alerta Geada, 04/05/2026: 32ª edição, de maio a setembro, boletins diários e alertas antecipados; cobertura das mudas e terra no tronco do café jovem. agrolink.com.br
- Conab. Boletim da Safra de Grãos, 12º levantamento, safra 2025/26, setembro de 2026: produtividade média nacional do milho 2ª safra, 6.291 kg/ha (104,9 sc/ha, conta do portal), usada no exemplo do milho. gov.br/conab
- Conta da Safra. Dados de referência das culturas: produtividades médias de exemplo (Conab: trigo 49,6, soja 61,85 e café arábica 30,8 sc/ha; Fundecitrus: 719 cx/ha; feijão 40 sc/ha, premissa), preços de 15 e 16/10/2026 (Cepea) e unidades de venda, com a fonte de cada número. referencias-culturas.html
- Conta da Safra. Graus-dia: datas do florescimento (22/05/2027) e da maturação (10/08/2027) do milho safrinha semeado em 10/03/2027, usadas no exemplo. graus-dia.html