Conta da Safra

FerramentasClima e ambiente

Pelo calor acumulado, quando a lavoura floresce e quando você colhe?

Escolha o grupo do milho ou digite a base, o teto e as somas do obtentor, e informe a semeadura e as temperaturas da sua região (a normal do INMET ou os dias medidos). A calculadora mostra o graus-dia de cada dia, a soma desde a emergência, as datas prováveis de florescimento, maturação e colheita e quanto elas andam semeando em outra data.

A soma térmica exata é a do obtentor do seu híbrido ou da sua cultivar: os grupos do milho são só referência, e o Conta da Safra não indica híbrido nem cultivar. As temperaturas do exemplo são de teste e não são a normal de nenhuma cidade. Troque pela normal do seu município nas Normais Climatológicas do INMET (a estação mais perto e de altitude parecida).

Como a calculadora faz a conta

A planta não se desenvolve pelo calendário, e sim pelo calor que acumula. Abaixo da temperatura-base ela para; acima dela, cada grau a mais adianta o ciclo, até a temperatura-teto, acima da qual o calor a mais já não adianta. O graus-dia de um dia é quanto a temperatura média passou da base. A calculadora faz a conta de dois jeitos: o simples, a média da máxima e da mínima menos a base, usado pela Embrapa Milho e Sorgo; e o com limites, o padrão, que antes da média corta a máxima no teto e sobe a mínima até a base, como no trabalho da safrinha em Campo Grande (MS). Depois soma os graus-dia a partir da emergência, inclusive, e acha o primeiro dia em que a soma chega à exigência do florescimento e à da maturação fisiológica. A colheita vem depois da secagem dos grãos no campo. Com a normal, cada dia do mês recebe o graus-dia do mês, como na planilha da Embrapa Informática Agropecuária; com os dias medidos, a conta usa cada dia e completa com a normal os dias que faltam. A mesma conta, com a outra data, dá a comparação das duas épocas. As contas abaixo usam os números do formulário.

As datas são estimativas pelo calor acumulado, com as temperaturas que você informou. Elas não consideram falta de chuva, de nitrogênio, doenças, população nem manejo, e a normal é o ano médio: um outono mais frio que a média atrasa o florescimento e a colheita. A soma térmica de cada híbrido é a que o obtentor publica, e ela só vale se a conta for feita do mesmo jeito (base, teto, método e ponto de partida): se o obtentor contou da semeadura, ponha 0 dia até a emergência. Os grupos da página são só referência. O Conta da Safra não indica híbrido nem cultivar. A calculadora não diz se vai gear: o risco de geada e de calor no florescimento é a ferramenta 46, em preparo. Quanto custa semear tarde, em sacas e em reais, está na janela de plantio.

O que é premissa nesta calculadora

As fontes abertas trazem o método, a base e o teto do milho e as faixas de cada grupo até o florescimento. O que não tem fonte é do Conta da Safra, aparece como premissa e pode ser trocado no formulário:

Valores de referência do milho e as datas deles

Valores de referência dos graus-dia do milho, com a fonte de cada um
ValorReferênciaDataFonte
Temperatura-base10 °C, com o aviso de que pode não servir para todas as cultivares atuais2010 e 2012Embrapa Milho e Sorgo
Outras bases testadas8 °C estimou melhor o florescimento em Sete Lagoas; 6, 7 e 11 °C, a maturação2002Embrapa Milho e Sorgo
Temperatura-teto30 °C: máximas cortadas em 30 °C; unidades de calor entre 10 e 30 °Censaios de 1993 e 1994; 2010Oliveira e outros; Embrapa Milho e Sorgo
Soma até o florescimento por gruposuperprecoce abaixo de 830 GD; precoce de 830 a 890; normal acima de 890 (da emergência ao início da polinização). As faixas se sobrepõem2010 e 2012Embrapa Milho e Sorgo
Safrinha em Campo Grande (MS)superprecoces de 653 a 732 GD, precoces de 668 a 755 e normais de 695 a 902, até 50% do pendãoensaios de 1993 e 1994Oliveira e outros
ZoneamentoGrupo I até 780 UC, II de 780 a 860 e III acima de 860, da emergência ao florescimento; em dias, menos de 110, de 110 a 145 e mais de 145 da emergência à maturação2010Embrapa Milho e Sorgo
Soma até a maturação por gruposem fonte aberta: os números da página são premissa——
Soja, trigo, arroz, feijão, algodão, café, cana e tomatesem fonte aberta com a base, o teto e a soma: use "Outra cultura" com os números do obtentor——

De onde tirar as temperaturas

Para planejar, use a máxima e a mínima médias de cada mês das Normais Climatológicas do INMET, da estação mais perto da lavoura e de altitude parecida: a temperatura cai com a altitude, e uma estação 300 m mais alta ou mais baixa muda a soma. Para acompanhar a lavoura, use os dias medidos de uma estação do INMET (BDMEP e estações automáticas) ou da estação da fazenda, e marque "Dia a dia": os dias que ainda não aconteceram saem da normal. Com a normal, todos os dias do mês recebem o mesmo graus-dia, e na virada do mês o ritmo muda de uma vez; o erro na data é de poucos dias.

Perguntas frequentes

O que é graus-dia?

É quanto a temperatura média do dia passou da temperatura mínima em que a planta se desenvolve, a temperatura-base. No milho, as fontes usam 10 °C: um dia com média de 24 °C vale 14 graus-dia. Somando os dias desde a emergência, você sabe quando o milho chega ao florescimento e à maturação.

Por que o mesmo milho demora mais na safrinha?

Porque a safrinha floresce e enche o grão no outono, com menos calor por dia. O híbrido precisa da mesma soma, e ela demora mais dias para fechar. Em Campo Grande (MS), o ciclo em dias alongou nas semeaduras tardias, e a soma em graus-dia variou menos.

Que temperatura-base eu uso?

No milho, a Embrapa usa 10 °C, com o aviso de que ela pode não servir para todas as cultivares atuais. Em Sete Lagoas, a base de 8 °C estimou melhor o florescimento. O mais seguro é usar a mesma base que o obtentor usou para publicar a soma do seu híbrido.

Qual método eu escolho, o simples ou o com limites?

O que o obtentor usou para publicar a soma. Os dois dão o mesmo número quando a mínima fica acima da base e a máxima abaixo do teto, como no verão do Cerrado. Numa madrugada fria (máxima de 25 °C e mínima de 6 °C), o simples dá 5,5 GD e o com limites, 7,5 GD, porque sobe a mínima até a base. O com limites é o padrão da calculadora, porque é o único ajuste das pontas que aparece numa fonte aberta.

O número de graus-dia do catálogo vale para a minha fazenda?

Vale como exigência do híbrido, desde que a conta seja feita do mesmo jeito que o obtentor fez: base, teto, método e ponto de partida (semeadura ou emergência). O que muda de uma fazenda para outra é a temperatura, e é isso que a calculadora usa. Os grupos superprecoce, precoce e normal são só referência, porque as faixas se sobrepõem.

A calculadora diz se vai gear no florescimento?

Não. Ela diz em que data a lavoura deve florescer. O risco de geada e de calor nessa data é a ferramenta 46, em preparo. Na safrinha, a geada no enchimento é um dos riscos principais no Paraná, em parte do Mato Grosso do Sul e, com menos frequência, em São Paulo.

Fontes

  1. Cruz, J. C.; Magalhães, P. C. (Embrapa Milho e Sorgo). Cultivares superprecoces surpreendem produtores. Campo & Negócios, jan. 2010: base de 10 °C e o aviso de que ela varia entre cultivares; somas até o florescimento por grupo; médias das cultivares de 2008/09; unidades de calor de 10 a 30 °C e os grupos do zoneamento. infoteca.cnptia.embrapa.br
  2. Cruz, J. C.; Pereira Filho, I. A.; Garcia, J. C. (Embrapa Milho e Sorgo). Planejamento da safrinha 2013 exige precocidade do híbrido. Campo & Negócios, jul. 2012: as faixas por grupo, a falta de critério em graus-dia para separar normais e precoces e os riscos da safrinha (geada e falta de chuva). infoteca.cnptia.embrapa.br
  3. Oliveira, M. D. X. de; Fornasieri Filho, D.; Santos, M. X. dos. Comparação do método de graus-dia e do número de dias de calendário para estimativa do ciclo do milho safrinha (emergência ao florescimento masculino), no estado do Mato Grosso do Sul. XVIII Reunión Latinoamericana del Maíz (ensaios de 1993 e 1994): base de 10 °C, máximas cortadas em 30 °C e mínimas a partir de 10 °C (método com limites) e as somas por grupo em Campo Grande. alice.cnptia.embrapa.br
  4. Aguiar, L. M.; Guiscem, J. M. (Embrapa Milho e Sorgo). Graus-dia estimado com diferentes valores de temperatura base na cultura do milho. XXIV Congresso Nacional de Milho e Sorgo, Florianópolis, 2002: a conta simples (média menos a base) e as bases de 6 a 12 °C testadas. alice.cnptia.embrapa.br
  5. Calve, L. (Cepagri/Unicamp); Alfonsi, R. R. (IAC); Assad, E. D. (Embrapa Informática Agropecuária). Planilhas de cálculo para estimativa do ciclo de culturas, a partir de graus-dia (Congresso Brasileiro de Agrometeorologia, 2005, pelo nome do arquivo): graus-dia do mês = (média − base) × dias do mês e a média do dia pela máxima e pela mínima (Arnold, 1960). alice.cnptia.embrapa.br
  6. Haddad, M. L.; Parra, J. R. P. (Embrapa e Esalq/USP). Métodos para estimar os limites térmicos e a faixa ótima de desenvolvimento das diferentes fases do ciclo evolutivo dos insetos. FEALQ, Piracicaba, 1984: a constante térmica e a temperatura-base como o limite abaixo do qual o desenvolvimento para. infoteca.cnptia.embrapa.br
  7. INMET. Normais Climatológicas do Brasil 1991–2020: a máxima e a mínima médias de cada mês de cada estação. portal.inmet.gov.br
  8. INMET. BDMEP · Banco de Dados Meteorológicos: as séries diárias de cada estação. bdmep.inmet.gov.br
  9. INMET. Tempo · estações automáticas e dados históricos anuais: os dados das estações automáticas, para acompanhar a lavoura. tempo.inmet.gov.br