Como a calculadora faz a conta
A conta compara dois jeitos de cuidar da mesma máquina durante um ano. No primeiro, só se conserta quando quebra. O custo é o conserto mais o prejuízo das horas paradas: a colheita que não anda, o plantio que passa da janela. No segundo, a máquina para em horas combinadas, por exemplo a cada 250 horas, para uma revisão com peças e mão de obra, e se espera menos quebra no meio do trabalho. O custo é o programa de revisões, a parada planejada e as quebras que ainda sobram.
A calculadora mostra quanto sobra a favor da revisão por ano (o líquido), quanto volta para cada real gasto (o retorno), a parte das quebras que a revisão precisa evitar para empatar (a efetividade de equilíbrio) e a disponibilidade mecânica, que é a parte do tempo em que a máquina está pronta para trabalhar, com e sem o programa. O reparo do ano segue a curva da norma americana ASABE, em que o reparo cresce com as horas ao quadrado, no nível das planilhas brasileiras. Por isso a máquina mais velha pede mais revisão.
O prejuízo da hora parada é a parte que depende da operação. A calculadora tem três jeitos de calcular:
- Grãos. Uma hora parada empurra para a frente a colheita que falta. Em média falta metade da área do ano. Cada dia de atraso perde uma parte do valor dela, uma hora é uma fração do dia de colheita, e só parte do atraso não se recupera, com hora extra ou outra máquina.
- Cana. Uma hora de colhedora parada é uma hora em que as toneladas dela têm de ser colhidas por outro meio. O prejuízo é o que se paga ao terceiro menos o que a máquina parada deixa de gastar: diesel, lubrificante e reparo.
- Direto. Você digita quanto uma hora parada custa: o aluguel de outro trator, o serviço que deixou de ser feito. Serve para trator, algodão, café, laranja e tomate.
O intervalo da revisão entra só no custo, em quantas revisões se fazem por ano. Quanto ela evita de quebras é a efetividade, que você define. A ferramenta não diz qual é o intervalo certo: quem manda é o manual da sua máquina. As contas abaixo usam os números do formulário.
O que é premissa e o que tem fonte
Nenhuma fonte pública que li mede quanto um programa de revisões por horas reduz as quebras de uma máquina agrícola brasileira, nem dá o prejuízo de uma hora parada para a maior parte das máquinas. Por isso estas partes da conta são premissas do portal, que você pode trocar:
- Quebras que a revisão evita (35%). É premissa, apoiada no índice de corretiva de um estudo da UFU: de 39% a 44% das horas de manutenção de cinco colhedoras de cana eram de corretiva, contra os 25% que a literatura aceita. Os 12% a 18% de economia do guia do programa de energia dos Estados Unidos vêm de edifícios e fábricas, de estudos sem nome, e uma análise crítica deu confiança baixa a eles. Por isso o resultado traz a efetividade de equilíbrio: se você acredita que a revisão evita mais que ela, a conta fecha a favor, sem depender dos 35%.
- Tempo entre quebras e tempo de reparo. Só a colhedora de cana tem medida pública: de 11,3 a 23,1 horas entre quebras e de 1,7 a 4,9 horas de reparo, em cinco máquinas de uma usina. Para colhedora de grãos e trator os valores do exemplo são premissas. O seu histórico vale mais: horas trabalhadas ÷ paradas por quebra.
- Parte do reparo que vem de quebras (40%). Premissa. A UFU mediu a parte em horas de manutenção, e aqui ela vira parte do reparo em reais.
- Prejuízo da hora parada. Na soja há fonte: 0,53% de perda por dia depois do estágio R8.2, uma reta do portal sobre a curva de Tsukahara e colegas, que explica pouco (R² de 0,32). Para milho, trigo, feijão e arroz não há fonte localizada, e você digita a sua. Na cana, os R$ 33,73 por tonelada são um componente do custo da CNA, e o preço de contrato de um terceiro pode ser maior. No trator e nas outras máquinas, o valor é seu: o do exemplo, R$ 400,00 por hora, é premissa.
- Parte do atraso que não se recupera, horas de colheita por dia e janela crítica. Premissas, sem fonte.
- Custos do programa. Custo e parada de cada revisão, parte da parada que cai em hora de trabalho e custos fixos são do exemplo, sem fonte. Lance em “custo de cada revisão” só o que passa do que você já gasta com a manutenção de rotina, que já está no reparo, para não contar duas vezes.
- Nível do reparo. A forma da curva é da ASABE, com dados dos Estados Unidos. O nível é o das planilhas brasileiras: 50% do valor novo em 4.500 horas na colhedora de grãos e 75% em 10.000 horas no trator, da Fundação ABC. A colhedora de cana não tem coeficiente da ASABE nas fontes lidas, então o expoente de 2,0 e o valor novo de R$ 3.000.000,00 são premissas. A ASABE pura aparece ao lado, porque estudos da Itália e do Irã ficaram abaixo dela.
- Taxa de quebra constante. A chance de parar na janela supõe a mesma taxa de quebra em qualquer idade. É um modelo: os dados de uma pesquisa da Califórnia mostram a parada crescendo com as horas acumuladas.
Escolha o modo pela sua máquina. Soja, milho, trigo, feijão e arroz colhidos com colhedora de grãos usam o modo grãos. A cana usa o modo cana. O trator e as máquinas de algodão, café, laranja e tomate usam o modo direto. O que não entra no líquido: valor de revenda maior, vida útil mais longa, garantia que se perde sem as revisões do manual, segurança e quebras graves de motor ou transmissão, que a média não representa.
Estimativa educativa com os números que você informou. A efetividade da preventiva, o tempo entre quebras, o prejuízo da hora parada e os custos do programa são premissas; troque-as pelo seu histórico de quebras e pelo orçamento da oficina. A preventiva só se paga se evitar quebras; veja a efetividade de equilíbrio. Siga os intervalos e os serviços do manual da sua máquina. A ferramenta não recomenda marca nem modelo.
Perguntas frequentes
Quanto eu ganho parando a máquina para a revisão?
Na colhedora de soja do exemplo (R$ 2.604.282,00, 300 h por ano, uma quebra a cada 20 h, revisão a cada 250 h), o programa custa R$ 22.309,39 por ano e, se evitar 35% das quebras, poupa R$ 38.374,31. Sobram R$ 16.064,91 (R$ 16,23 por hectare), ou R$ 1,72 de custo evitado para cada R$ 1,00 gasto. Na colhedora de cana do exemplo são R$ 92.103,92 por ano e no trator de 200 cv, R$ 944,00.
E se a revisão evitar menos quebras do que eu imaginei?
A calculadora mostra o ponto de empate: no exemplo, 20,35% das quebras evitadas, ou 3 das 15 do ano. Com 25% o líquido é de R$ 5.101; com 20%, de −R$ 381; com 10%, de −R$ 11.345. Nenhuma fonte pública que li mede esse efeito em máquina agrícola, então teste com o seu histórico antes de confiar nos 35%.
Por que a hora parada pesa mais que o conserto?
Porque a colheita que não anda perde mais do que a peça custa. No exemplo, cada quebra custa em média R$ 2.157,46 de conserto e R$ 5.151,93 de atraso (4 h de parada a R$ 1.287,98 por hora, sem arredondar). O atraso é 70,5% do custo de quebrar. Por isso o resultado mexe mais com o tempo entre quebras e com a parte do atraso que não se recupera do que com o preço da revisão.
Como descubro o tempo entre quebras e o tempo de reparo da minha máquina?
Anote cada parada por quebra: data, horímetro e horas até voltar a trabalhar. O tempo entre quebras (MTBF) é as horas trabalhadas ÷ o número de paradas: 300 h e 15 paradas dão 20 h. O tempo de reparo (MTTR) é as horas paradas ÷ o número de paradas: 60 h ÷ 15 = 4 h. Com 20 h e 4 h, a disponibilidade do exemplo é de 83,33%, dentro da faixa de 73% a 90% que a UFU mediu e abaixo dos 85% que os estudos de colhedora de cana usam como meta.
Qual intervalo de revisão devo usar?
O do manual da sua máquina. A calculadora mostra o custo: no exemplo, revisar a cada 100 h custa R$ 33.273 por ano e deixa R$ 5.101; a cada 250 h, R$ 22.309 e R$ 16.065; a cada 500 h, R$ 18.655 e R$ 19.720, tudo com a mesma efetividade de 35%. Revisar mais vezes só se paga se evitar proporcionalmente mais quebras: a cada 100 h, mais de 30,3%.
Serve para trator?
Sim, com o prejuízo da hora parada digitado por você. No trator de 200 cv do exemplo (uma quebra a cada 60 h, hora parada de R$ 400,00, revisão a cada 250 h) o líquido é de apenas R$ 944,00 e o empate fica em 32,90%, perto dos 35%: o ganho é frágil. Se a quebra parar a semeadora na janela de plantio, a hora vale mais e o resultado muda.
Fontes
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