Conta da Safra

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Quanto de N, P e K a colheita tira do talhão, e quanto custa repor?

Digite a produtividade esperada, a fórmula do adubo e o preço. A calculadora mostra quanto nitrogênio, fósforo e potássio saem na colheita, a dose da sua fórmula que repõe o nutriente escolhido, o que falta e o que sobra dos outros, o custo por hectare, no talhão e por saca e em que fase a planta mais puxa cada nutriente.

Esta conta mostra o que a colheita tira do talhão e quanto custa repor com o adubo que você informou. Não é recomendação de adubação: a dose depende da análise de solo e da tabela de recomendação do seu estado, e quem a define é o agrônomo. Antes de repor, confira a calagem na calculadora de calagem e gessagem. A página não indica fórmula, marca nem época de aplicação.

Na soja, o N vem da fixação biológica. A Embrapa Soja não recomenda adubo nitrogenado na soja inoculada; por isso a calculadora deixa o N da soja fora da reposição, a não ser que você marque "Repor com adubo".

Como a calculadora faz a conta

A planta absorve do solo uma quantidade de cada nutriente durante o ciclo, mas só uma parte sai do talhão na colheita: é a exportação, o que vai embora no grão, no colmo, no fruto ou no café. O resto volta ao solo na palha, nas folhas e nas raízes. A calculadora multiplica a produtividade em toneladas (no café, em sacas) pelo quilo de cada nutriente que sai por tonelada colhida, da compilação da Embrapa Meio-Norte, e passa o fósforo e o potássio para P₂O₅ e K₂O, que é como vêm na fórmula do adubo. Depois divide o que sai pelo teor da fórmula: é a dose que repõe aquele nutriente. Uma fórmula só não repõe os três na proporção certa; por isso você escolhe qual nutriente define a dose, e a calculadora mostra o que falta e o que sobra dos outros. No fim entram o preço e o frete do adubo, o custo por hectare, no talhão e por unidade colhida e, se você digitar o preço do produto, o custo em sacas por hectare. Na soja e no milho, ela mostra também o que a planta toda absorve. As contas abaixo usam os números do formulário.

A conta mostra a exportação e o custo de repor, que é a referência da adubação de manutenção: repor o que a colheita levou num solo já corrigido e com teores bons. Em solo pobre, a recomendação do estado costuma pedir mais do que sai; em solo rico, pode pedir menos. A dose depende da análise de solo, do histórico da área e da tabela de recomendação do estado (Boletim 100 em SP, 5ª Aproximação em MG, o manual da CQFS-RS/SC no Sul, as recomendações da Embrapa no Cerrado), e quem a define é o agrônomo. A conta supõe que todo o nutriente do adubo fica para a planta: perdas de nitrogênio e a fixação do fósforo no solo não entram. Cálcio, magnésio, enxofre e micronutrientes ficam de fora. A marcha de absorção mostra quando a planta mais puxa cada nutriente; parcelamento, época e forma de aplicar são decisão do agrônomo.

Antes de repor, confira a calagem

A calagem vem antes: ela corrige a acidez e o alumínio do solo, que é tóxico para a raiz, e diz se falta magnésio ou cálcio em profundidade. A calagem não repõe N, P e K, mas uma raiz travada pelo alumínio explora menos solo e aproveita menos o adubo (raciocínio do portal). A calculadora de calagem e gessagem faz essa conta pela análise de solo.

O nitrogênio da soja

A soja inoculada recebe o nitrogênio das bactérias que vivem nos nódulos da raiz (a fixação biológica). Em ensaios da Embrapa Soja, a população de Bradyrhizobium estabelecida forneceu todo o N de que a soja precisou, e a adubação nitrogenada foi considerada desnecessária e, por isso, não recomendada. Por isso, na soja, a calculadora mostra o N que sai no grão, mas não o repõe com adubo, e o N que a fórmula traz aparece só como informação. Se for o seu caso repor, marque "Repor com adubo" e converse com o agrônomo.

O que é premissa nesta calculadora

O que não tem fonte é do Conta da Safra, aparece como premissa e pode ser trocado no formulário:

Números a conferir

Quanto sai por tonelada colhida, cultura por cultura

Quilos de N, P₂O₅ e K₂O que saem por tonelada colhida (por saca no café), com o trabalho de origem citado pela Embrapa Meio-Norte
CulturaNP₂O₅K₂OPorOrigem citada pela Embrapa Meio-Norte

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre extração e exportação?

Extração é tudo o que a planta absorve no ciclo. Exportação é a parte que sai do talhão na colheita, no grão, no colmo ou no fruto; o resto volta ao solo na palha e nas raízes. Na soja estudada pela Embrapa, uns 80% do N e do P absorvidos foram para o grão, e 58% do K; no milho, só de 26% a 43% do K.

Se eu repuser só o que a colheita tirou, está certo?

Depende da análise de solo. Repor a exportação é a ideia da adubação de manutenção, que vale para solo já corrigido e com teores bons. Em solo pobre, a recomendação do estado costuma pedir mais; em solo rico, pode pedir menos. Quem fecha a dose é o agrônomo.

Por que a fórmula do meu adubo não fecha os três nutrientes?

Porque cada cultura tira N, P₂O₅ e K₂O numa proporção, e a fórmula tem outra. No milho do exemplo, o 04-14-08 que repõe o P₂O₅ deixa faltando 75 kg/ha de N; na soja, falta K₂O. A calculadora mostra a falta e a sobra para você comparar fórmulas ou completar com outra fonte, com o agrônomo.

A soja precisa de adubo nitrogenado?

Na soja inoculada, a Embrapa Soja considera a adubação nitrogenada desnecessária: em seus ensaios, a fixação biológica forneceu todo o N de que a planta precisou. Por isso a calculadora deixa o N da soja fora da reposição. Mesmo assim, a fórmula com N entrega um pouco dele, e a página mostra quanto.

Em que fase a planta mais precisa de cada nutriente?

Na soja estudada pela Embrapa, a absorção é mais rápida de R3 a R4, no enchimento das vagens. No milho, o K entra cedo (uns 90% até os 60 a 70 dias), e o N e o P têm dois picos, no vegetativo (V12 a V18) e na formação da espiga. Isso mostra quando a demanda é maior; quando aplicar, o agrônomo decide.

Por que a cana tira tanto potássio?

Porque se colhe o colmo inteiro, em muitas toneladas: são 1,12 kg de K por tonelada de colmo, uns 110 kg/ha de K₂O em 82 t/ha. Na cana irrigada do Semiárido, a planta acumulou mais K do que N e P durante todo o ciclo.

Fontes

  1. Souza, H. A. de; Silva, A. A.; Clark, M. V. G. et al. (Embrapa Meio-Norte). Exportação e balanço de nutrientes de culturas agrícolas do Nordeste brasileiro. Documentos 288, 2023: coeficientes de exportação de N, P e K por tonelada colhida de cada cultura (tabelas 11, 13, 14, 16, 17, 18 e 20), com o trabalho de origem de cada número, e a diferença entre extração e exportação. infoteca.cnptia.embrapa.br
  2. Oliveira Junior, A. de; Castro, C. de; Oliveira, F. A. de; Foloni, J. S. S. (Embrapa Soja). Marcha de absorção e acúmulo de macronutrientes em soja com tipo de crescimento indeterminado. Reunião de Pesquisa de Soja, 34, Londrina, 2014, resumos expandidos, p. 133-136: total absorvido, parte que vai para o grão e dias de absorção mais rápida de cada nutriente. alice.cnptia.embrapa.br
  3. Coelho, A. M. (Embrapa Milho e Sorgo). Nutrição e adubação do milho. Circular Técnica 78, 2006: extração por produtividade, fatores 2,29 e 1,20 para P₂O₅ e K₂O, parte que vai para o grão, adubação de manutenção e marcha de absorção de N, P e K. infoteca.cnptia.embrapa.br
  4. Crispino, C. C.; Franchini, J. C.; Moraes, J. Z. et al.; Hungria, M. (Embrapa Soja). Adubação nitrogenada na cultura da soja. Comunicado Técnico 75, 2001: a fixação biológica forneceu todo o N da soja, e a adubação nitrogenada é desnecessária e não recomendada. infoteca.cnptia.embrapa.br
  5. Mendes, A. M. S.; Moura, M. S. B. de; Silva, T. G. F. da; Carmo, J. F. A. do; Brandão, E. O. (Embrapa Semiárido). Acúmulo de nutrientes pela cana-de-açúcar irrigada cultivada no Semiárido Tropical brasileiro. Fertbio 2010, Guarapari: acúmulo de N, P e K na soca irrigada, período de absorção máxima e ordem K > N > P. alice.cnptia.embrapa.br
  6. Laviola, B. G.; Martinez, H. E. P.; Salomão, L. C. C.; Cruz, C. D.; Mendonça, S. M.; Rosado, L. (UFV). Acúmulo em frutos e variação na concentração foliar de NPK em cafeeiro cultivado em quatro altitudes. Bioscience Journal, v. 24, n. 1, 2008 (resumo): as duas fases de acúmulo no fruto e o efeito da altitude. seer.ufu.br
  7. Fayad, J. A.; Fontes, P. C. R.; Cardoso, A. A.; Finger, F. L.; Ferreira, F. A. (UFV). Absorção de nutrientes pelo tomateiro cultivado sob condições de campo e de ambiente protegido. Horticultura Brasileira, 2002 (resumo): N, P e K máximos absorvidos e a absorção que acompanha a matéria seca. locus.ufv.br
  8. Produtividade, unidade de venda e preço de referência de cada cultura: Imea, Conab, Cepea, Consecana-SP, Fundecitrus e outras, nas datas indicadas. Detalhes e links de cada número em Dados de referência das culturas, do Conta da Safra.
  9. Conta da Safra. Calculadora de calagem e gessagem (out/2026), com as fontes dela: a ligação entre a correção do solo e o aproveitamento do adubo. calagem-gessagem.html