Como a calculadora faz a conta
A precisão rende de três jeitos. Gasta menos adubo e calcário, porque o mapa manda uma dose para cada ponto da área. Colhe um pouco mais, porque corrige as manchas fracas. E perde menos insumo nas sobreposições, com piloto automático e controle de seção. Para tirar um dos três da conta, zere o campo dele. Do outro lado estão a amostragem de solo em grade, que se repete a cada poucos anos, os mapas e a aplicação em taxa variável, e o equipamento, comprado no início.
A calculadora põe o que entra e o que sai ano a ano e resume em quatro números:
- VPL: quanto sobra no fim, em reais de hoje, depois de descontar o que o dinheiro renderia em outra aplicação. Acima de zero, a precisão compensa.
- TIR: quanto o investimento rende por ano. Se for maior que a taxa de desconto, o investimento pode valer a pena.
- Retorno: em quantos anos o dinheiro investido volta, sem e com o desconto.
- Área mínima: a menor área em que o VPL chega a zero. Como o VPL cresce em linha reta com a área, essa conta é exata.
A conta usa preços de hoje, sem inflação e sem imposto de renda, e o equipamento não tem valor de venda no fim. Quem contrata o serviço em vez de comprar o equipamento coloca investimento zero e o preço do serviço em "Aplicação em taxa variável". As contas abaixo usam os números do formulário.
O que dizem os estudos
Os números abaixo são resultados de estudos, não valores recomendados. Quase todos vêm de Costa e Burnquist (2016), que reuniram trabalhos de outros autores. Não conferimos cada trabalho original. Servem para você pôr os três percentuais do formulário em ordem de grandeza.
| Cultura e prática | Mudança no insumo | Mudança na produtividade | Quem mediu |
|---|---|---|---|
| Café: nitrogênio, fósforo e potássio | N −2%, P −1%, K +7% | +2% | Faulin et al. (2010) |
| Café: fósforo e potássio | P −13% (o texto do artigo diz −23%) e K +13% | +34% (caso extremo) | Molin et al. (2010) |
| Cana: calcário, gesso e fósforo | −15% nos custos | +9% | Menegatti et al. (2006) |
| Laranja: calcário | −27% | sem número | Lopes e Molin (2010) |
| Calcário (cultura não identificada) | −30% | sem número | Barbieri et al. (2008) |
| Nitrogênio (cultura não identificada) | de −18% a −50% | sem número; −36% de nitrogênio com +0,7% em um estudo | Ahmad (1997), Stone (1996), Koch (2003), Griepentrog e Kyhn (2000), Ruffo (2008) |
| Arroz: nitrogênio, fósforo e potássio | o uso aumentou: N +6%, P +75%, K +80% | +3% | Acosta et al. (2010) |
| Milho: fósforo e potássio (simulação) | de −10 a +10,8 kg/ha | de −3,7% a +4,8% | Costa e Burnquist (2016) |
| Soja, trigo, feijão e algodão | Não localizamos estudo econômico com esses números. Use os de outras culturas com cautela. | ||
Costa e Burnquist concluem que os resultados não devem ser generalizados: o que decide é a variação do solo na sua área. Uma síntese de estudos da Embrapa, citada pelo Compre Rural em 05/10/2026, aponta resultado econômico positivo em 63% dos estudos de nitrogênio, 71% de fósforo e potássio e 75% de calcário. Isso quer dizer que uma parte dos estudos não teve ganho.
Este cálculo usa os números que você digitou. Economia de insumo e ganho de produtividade com agricultura de precisão variam muito de lavoura para lavoura e dependem da variação do solo na sua área. Confirme as premissas com seu agrônomo ou consultor de agricultura de precisão. A ferramenta não recomenda doses nem produtos.
Os preços de equipamento (R$ 150 mil), de amostragem (R$ 80 por ponto) e de mapas e aplicação (R$ 10 e R$ 7 por hectare), assim como a economia, o ganho e o gasto com insumos de milho e café, são premissas do portal. Não localizamos fonte atual para eles. Peça orçamento ao fornecedor e ao laboratório e troque os valores.
Perguntas frequentes
Quanto de insumo dá para economizar com taxa variável?
Depende de quanto o solo varia na sua área. Os estudos reunidos por Costa e Burnquist vão de economia de 13% de fósforo em café e 27% de calcário em citros até 36% a 50% de nitrogênio, e há casos em que o uso aumentou (arroz). Em uma síntese de estudos da Embrapa citada em 05/10/2026, de 63% a 75% dos estudos tiveram resultado econômico positivo, o que também quer dizer que uma parte não teve.
Preciso comprar o equipamento ou posso contratar o serviço?
Pode contratar. Oro et al. (2007) estudaram uma empresa de serviço de aplicação em taxa variável (18.500 ha por ano, investimento de R$ 598 mil, preços de R$ 28 a R$ 35 por hectare) e chegaram a uma TIR de 8%, contra uma taxa mínima de 6%, com retorno em 9 anos, para a empresa. Para o produtor que contrata, use investimento zero e coloque o preço do serviço em "Aplicação em taxa variável". Os valores de 2007 estão defasados: peça orçamento.
De quanto em quanto tempo devo refazer a amostragem em grade?
A Embrapa (2000) orienta, no plantio direto, nova amostragem ao fim do terceiro cultivo e outra ao fim do sexto, com a fase de implantação durando até 5 anos. Por isso o exemplo usa 3 anos. A amostragem deve ser feita pelo menos três meses antes da calagem e das adubações.
Qual o tamanho certo da grade?
Nos levantamentos com produtores, o mais comum é 5 hectares por ponto (56% em Borghi et al.), com faixa de 3 a 5 ha em Bernardi e Inamasu e de 2 a 10 ha em Resende et al. Grade menor melhora o mapa e encarece a amostragem; a decisão é do consultor. A calculadora mostra quanto cada tamanho custa por hectare.
O piloto automático se paga sozinho?
Não localizamos estudo independente com retorno em anos. Oliveira et al. (2024) mediram, em 800 hectares, que a área não aproveitada caiu de 1,5% para 0,46% com o piloto, e a diferença vale mais em lavouras de insumo caro e pouco espaço entre as passadas. Um fabricante cita de 4,5% a 10% de economia de fertilizante com piloto e controle de seção, mas é número do fabricante, sem estudo. Use "Menos sobreposição e falha" e "Gasto com insumos em faixa" para testar o seu caso e olhe a área mínima.
Para qual área isso vale a pena?
Depende do benefício por hectare e do investimento, e a calculadora mostra a sua área mínima. Nas simulações de Costa e Burnquist para potássio em milho, a área mínima ficou entre 67 e 790 hectares, conforme a variação do solo: quanto mais variável o solo, menor a área necessária.
Fontes
- Costa, C. C.; Burnquist, H. L. Impactos ao migrar da aplicação uniforme para a aplicação variada de fertilizantes. Embrapa e Esalq/USP, 2016. alice.cnptia.embrapa.br
- Oro, T.; Ziviani, A. C.; Oliveira, A. J.; Shiratsuchi, L. S.; Cordeiro, A. Estudo da viabilidade financeira de uma empresa de prestação de serviço em aplicação de corretivos e fertilizantes em taxas variáveis. Embrapa, 2007. alice.cnptia.embrapa.br
- Resende, A. V.; Shiratsuchi, L. S.; Coelho, A. M. et al. Agricultura de precisão no Brasil: avanços, dificuldades e impactos no manejo e conservação do solo, segurança alimentar e sustentabilidade. Embrapa, cerca de 2010. alice.cnptia.embrapa.br
- Bernardi, A. C. C.; Inamasu, R. Y. Adoção da agricultura de precisão no Brasil (cap. 60). Embrapa Instrumentação, levantamento de 2012. alice.cnptia.embrapa.br
- Borghi, E. et al. Avaliação do padrão tecnológico e tendências da agricultura de precisão, safra 2011/12 (cap. 61). Embrapa Instrumentação, 2011. alice.cnptia.embrapa.br
- Embrapa. Amostragem de solos: a base para aplicação de corretivos e fertilizantes. 2000. ainfo.cnptia.embrapa.br
- Oliveira, G. S. P.; Silveira, A. L. R.; Matias, R. K. Viabilidade econômica do uso de direcionadores automáticos em tratores agrícolas. Revista UniAraguaia, v. 19, n. 1, 2024. sipe.uniaraguaia.edu.br
- Gimenez, M. A.; Reis, J. C.; Kamoi, M. Y. T.; Michetti, M. Ferramenta eletrônica como instrumento de avaliação da viabilidade econômico-financeira de sistemas de produção agropecuários. Embrapa Agrossilvipastoril, cerca de 2016 (definições de VPL, TIR e retorno). alice.cnptia.embrapa.br
- Revista Cultivar. Tecnologia reduz impacto da alta dos fertilizantes. 30/03/2026. revistacultivar.com.br
- Compre Rural. GPS, sensores, drones e mapas: quais tecnologias realmente devolvem dinheiro ao produtor. 05/10/2026. comprerural.com
- Atlas Público (notícia do Banco Central). Copom reduz Selic para 13,75% ao ano em decisão unânime. 16/09/2026. atlaspublico.com.br
- Agrolink. Plano Safra reduz juros e libera R$ 525,1 bilhões para o agro (Inovagro a 11,5% ao ano). 30/06/2026. agrolink.com.br
- CNA Brasil. Custo da soja sobe e rentabilidade deve cair 35% na safra 26/27, aponta estudo do Imea/Senar-MT. 11/09/2026. cnabrasil.org.br
- Produtividade e preços de exemplo: Imea (soja e milho, MT, 2025/26), Conab (demais culturas), Expocacer (café) e Cepea/Esalq (16/10/2026). Detalhes e links de cada número em Dados de referência das culturas, do Conta da Safra.