Conta da Safra

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Quanto do nitrogênio da ureia vai embora para o ar, e quanto isso custa?

Marque a cultura, a dose de N, o preço da ureia e as condições do dia: temperatura, palhada, umidade do solo, pH e a chuva depois da aplicação. A calculadora estima a perda de N dentro da faixa medida em ensaios no Brasil, mostra os quilos, os reais e as sacas perdidos por hectare, até quanto vale pagar para incorporar e o preço de empate da ureia com inibidor, do sulfato e do nitrato de amônio.

Estimativa feita a partir de faixas de perda medidas em ensaios no Brasil (fontes abaixo). No campo, a perda varia com o tempo, o solo, a palhada e a aplicação, e pode ser maior ou menor. A conta mostra só o N que vai para o ar como amônia, não a queda de produção. Não é recomendação de dose nem de produto: a decisão é sua com o seu agrônomo. Os pesos das condições, a chuva mínima de 15 mm, as faixas emprestadas de outra cultura e os preços de exemplo são premissas do portal, editáveis no formulário.

Como a calculadora faz a conta

A ureia, ao se dissolver com a umidade, é quebrada pela urease (uma enzima do solo, que existe em maior quantidade na palha) e vira amônio. Em volta do grânulo o pH sobe, e parte do amônio sai para o ar como amônia. A perda é grande quando a ureia fica na superfície, sobre palha, com calor e sem uma chuva que a leve para dentro do solo, e se concentra nos primeiros 4 a 5 dias. A calculadora não inventa uma perda: parte da faixa medida para a cultura (a menor e a maior perda da ureia em superfície nas fontes) e põe a estimativa dentro dela por um índice das condições, de 0 a 1: a temperatura, a palhada, a umidade do solo e o pH somam pontos, e o total é multiplicado por um fator chuva. Índice 0 dá a menor perda medida; índice 1, a maior. Daí saem os quilos de N perdidos, os reais pelo preço do kg de N da ureia e o equivalente em produto. A comparação usa o custo do kg de N aproveitado (o N comprado que não foi para o ar) e o preço de empate de cada categoria de fonte, com o custo que você digita.

A perda pode passar do teto da faixa: outros trabalhos, citados pelas fontes abertas, mediram de 50% a 94% sobre palha, mas os originais não foram abertos. Em tempo quente, seco e com muita palha, a calculadora pode subestimar a perda. O "equivalente em sacas" é o custo da perda dividido pelo preço do produto, e não sacas que deixaram de ser colhidas: nos ensaios lidos, a fonte de N nem sempre mudou a produção. Só a volatilização entra na conta: lixiviação, desnitrificação, o enxofre do sulfato e o efeito de cada fonte no pH do solo ficam de fora. A calculadora mostra só a categoria técnica de cada fonte, nunca marca nem produto comercial.

O que é premissa nesta calculadora

As fontes dizem a direção e a importância de cada fator, mas não dão um número para cada um. Estes valores são do Conta da Safra e todos podem ser trocados no formulário, no grupo "Premissas do portal":

Faixa de perda da ureia em superfície por cultura

Perda de N da ureia comum aplicada em superfície, em porcentagem do N aplicado, por cultura, com a fonte ou o motivo da premissa
CulturaPerdaFonte ou premissa

Outras fontes de N, nos mesmos ensaios: o nitrato de amônio perdeu de 0% a 0,7%, e o sulfato de amônio, de 0,5% a 1,2% (Viero et al., 2014; Faria et al., 2013; EPAMIG, 2018). A soja fica de fora porque não recebe N em cobertura, e o tomate porque o N vai em boa parte por fertirrigação, sem medição aberta da ureia em superfície.

Perguntas frequentes

Quanto de chuva precisa cair depois da ureia?

As fontes abertas não dão um número em milímetros. O que elas mostram é que a chuva nos primeiros cinco dias foi o principal fator de redução da perda no milho de verão (Viero et al., 2014) e que, na cana, dias de chuva logo depois da adubação deram a menor perda, de 1% (Cantarella et al., 2008). A calculadora usa 15 mm como premissa, editável. Garoa e orvalho não contam: dissolvem a ureia sem levá-la para dentro do solo e podem até aumentar a perda.

Por que a perda é tão maior no café?

No ensaio de Lavras (MG), a ureia em superfície perdeu de 22% a 43% do N por aplicação, 31% em média no 1º ano e 38% no 2º (EPAMIG, 2018). As perdas foram maiores com calor, umidade do ar alta e pouca chuva; no Espírito Santo, a pouca chuva e o calor das regiões de conilon também favorecem a perda (Rodrigues et al., 2012). Nos grãos anuais de verão no Paraná e em São Paulo, a perda ficou entre 11% e 18%.

Vale a pena pagar mais pela ureia com inibidor de urease?

Depende do tempo e do preço. O inibidor reduziu a perda de 15% a 78% na cana (Cantarella et al., 2008), cerca da metade ou mais no milho (Viero et al., 2014) e de 32% a 62% no café (EPAMIG, 2018), mas protege menos quando a chuva demora 10 a 15 dias ou mais. A calculadora mostra o preço de empate: até quanto vale pagar pelo kg de N da ureia com inibidor nas condições que você marcou. No exemplo do milho sem chuva, o empate é de R$ 7,04 por kg de N.

Misturar ureia com sulfato de amônio diminui a perda?

No ensaio de São Paulo, não: a mistura perdeu 18% e 15% do N, quase o mesmo que a ureia pura (18% e 14%) (Faria et al., 2013). O sulfato de amônio sozinho perdeu cerca de 1%. Na calculadora, a mistura conta como ureia na parte do N que vem dela.

Faz diferença jogar a ureia de manhã ou à tarde?

Nos ensaios do Paraná o efeito não foi constante: no trigo de 2010, a aplicação da tarde perdeu 5,4% e a da manhã menos de 2%; no milho, a da manhã perdeu um pouco mais (13,2% contra 12,2%, e 13,5% contra 10,8%) (Viero et al., 2014). Por isso a hora não entra na conta.

Incorporar a ureia resolve?

Reduz muito. Trabalho citado pela Embrapa Milho e Sorgo mediu menos de 10% de perda com a ureia incorporada a 7,5 cm, contra 60% em superfície, e no café a ureia dissolvida em água perdeu 4,6% contra 31,2% (EPAMIG, 2018). Sob irrigação por aspersão, ureia em superfície e incorporada deram a mesma produção de milho (Coelho et al., 1992), porque a água já leva a ureia para dentro do solo. No plantio direto, incorporar mexe na palhada e tem custo e janela: a calculadora diz até quanto a operação compensa só pela perda evitada.

Fontes

  1. Viero, F.; Bayer, C.; Fontoura, S. M. V.; Moraes, R. P. de. Ammonia volatilization from nitrogen fertilizers in no-till wheat and maize in southern Brazil. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 2014: perdas da ureia, da ureia com inibidor (NBPT), do sulfato e do nitrato de amônio no milho (150 kg de N/ha) e no trigo (50 kg de N/ha) em Guarapuava (PR); chuva nos primeiros 5 dias; temperatura como fator de maior peso; manhã e tarde. scielo.br
  2. Faria, L. A.; Nascimento, C. A. C.; Vitti, G. C.; Luz, P. H. C.; Guedes, E. M. S. Loss of ammonia from nitrogen fertilizers applied to maize and soybean straw. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 37, n. 4, p. 969-975, 2013: perdas por fonte sobre palha de milho e de soja em Pirassununga (SP), perda concentrada nos 4 primeiros dias e a mistura de sulfato de amônio com ureia. redalyc.org
  3. Cantarella, H.; Trivelin, P. C. O.; Contin, T. L. M.; Dias, F. L. F.; Rossetto, R.; Marcelino, R.; Coimbra, R. B.; Quaggio, J. A. Ammonia volatilisation from urease inhibitor-treated urea applied to sugarcane trash blankets. Scientia Agricola, v. 65, n. 4, p. 397-401, 2008: perda da ureia de 1% a 25% em sete canaviais sobre palha, redução de 15% a 78% com o inibidor e menor proteção com chuva depois de 10 a 15 dias. revistas.usp.br
  4. Guimarães, P. T. G.; Dias, K. G. de L.; Oliveira, C. H. C. de; Dominghetti, A. W. (EPAMIG). Fertilizantes de liberação lenta na cultura do cafeeiro. Circular Técnica 271, abr. 2018: perdas da ureia (31,2%; 22,2% a 43,2%), da ureia com inibidor, do nitrato e do sulfato de amônio e da ureia dissolvida em água, em Lavras (MG). livrariaepamig.com.br
  5. Rodrigues, J. O.; Monte, J. A.; Oliosi, G.; Dias, M. A.; Partelli, F. L.; Pires, F. R.; Espindula, M. C. (Embrapa Rondônia). Perdas por volatilização de diferentes adubos nitrogenados aplicados no cafeeiro conilon. FERTBIO 2012: ureia com 45% de N e o efeito do calor e da pouca chuva no conilon. alice.cnptia.embrapa.br
  6. Coelho, A. M.; França, G. E.; Bahia Filho, A. F. C.; Guedes, G. A. A. (Embrapa Milho e Sorgo). Doses e métodos de aplicação de fertilizantes nitrogenados na cultura do milho sob irrigação. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 16, p. 61-67, 1992: ureia em superfície e incorporada com a mesma produção sob aspersão, e a perda da ureia incorporada a 7,5 cm citada de Rao e Batra (1981). alice.cnptia.embrapa.br
  7. Preço de referência de cada cultura (equivalente da perda em produto): Cepea e Consecana-SP, nas datas indicadas. Detalhes e links de cada número em Dados de referência das culturas, do Conta da Safra.