Como a calculadora faz a conta
A cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) transmite os dois enfezamentos, o pálido e o vermelho, e o vírus da risca. A calculadora divide as cigarrinhas de cada armadilha pelos dias que ela ficou exposta e tira a média do talhão: cigarrinhas por armadilha por dia, a unidade do monitoramento da Epagri, que deixa comparar leituras feitas com intervalos diferentes. Compara essa média com a leitura anterior para mostrar a tendência e com as faixas do portal. Depois junta a faixa, o peso do estádio (a infecção pesa mais de VE a V4) e a infectividade da região para estimar as plantas doentes, e a perda numa planta doente, conforme a doença e o híbrido, para chegar à perda em sacas e em reais. A conta não tenta prever a eficácia do controle, que depende do produto: ela mostra que parte da perda o controle precisaria evitar para pagar o próprio custo. As contas abaixo usam os números do formulário.
A perda esperada é uma ordem de grandeza, não um diagnóstico: nem toda cigarrinha é infectiva, e não há como saber no campo quais estão. As perdas por planta doente são os valores máximos das fontes. A conta não inclui o quebramento de colmo nem o acamamento, que aumentam a perda na colheita. Para silagem e pipoca, a conta é em sacas de grão: converta por conta própria. A calculadora não recomenda produto, princípio ativo, marca, dose nem momento de aplicação; leve estes números ao seu agrônomo.
O que é premissa nesta calculadora
A Embrapa diz que "ainda não está estabelecido um nível de controle" para a cigarrinha e que, para um inseto que transmite doença, ele é muito baixo, sem dar número. A tese da UFV também não propõe um. Por isso estes números são do Conta da Safra, e todos podem ser trocados no grupo "Premissas do portal" do formulário:
- Faixas de alerta: 1 e 5 cigarrinhas por armadilha por dia; 1 e 5 por planta. 1 por dia é a ordem do pico da UFV em Minas (9,37 por armadilha por semana, cerca de 1,34 por dia); a Epagri contou cerca de 10 por dia em Santa Catarina em janeiro de 2024. Na planta, 1 é a média histórica e 10 os picos citados pela Embrapa.
- Peso do estádio: 1,0 de VE a V4, 0,6 em V5 e V6, 0,3 em V7 e V8 e zero depois de V8. A Embrapa diz que a maior ocorrência de enfezamento é até V4; a queda depois disso é escolha do portal.
- Plantas doentes por faixa: 5% na baixa, 15% na média e 30% na alta, com 50% de cigarrinhas infectivas e peso 1. O teto de 60% vem da Embrapa (lavouras semeadas tarde).
- Infectivas sem laudo: 50%, perto dos 53% medidos pela Epagri. Com o laudo do monitoramento regional, use o número dele.
- Fator do híbrido: 1,0 (suscetível ou não sei), 0,7 (intermediário) e 0,4 (tolerante). As fontes dizem que os híbridos diferem muito e que o tolerante é a medida mais efetiva, mas não dão número.
- Armadilha saturada acima de 500 cigarrinhas, tendência "estável" até 20% de variação e o número de armadilhas por talhão (abaixo): critérios do portal.
- Produtividade e preço do exemplo: média do Brasil da Conab e indicador Cepea/B3 de Campinas. O custo do controle de R$ 120,00/ha é arbitrário: digite sempre o seu.
Como monitorar
Armadilha. Cartão adesivo amarelo a cerca de 1 m do solo, como na pesquisa da UFV (cartão de 6 × 7 cm, troca semanal). Premissa do portal: suba a armadilha junto com o milho, um pouco acima do topo das plantas pequenas. Plantas (opcional). Conte as cigarrinhas adultas dentro do cartucho de 10 plantas por ponto, como no estudo da Embrapa com a UFSJ. Frequência. Pelo menos uma leitura e uma troca por semana, da emergência até V8; premissa do portal: duas leituras por semana de VE a V4 quando a faixa for média ou alta. Ponha pelo menos 2 armadilhas na borda voltada para lavouras de milho mais velhas ou com tiguera, de onde a cigarrinha costuma vir.
| Área do talhão | Armadilhas | Plantas contadas (opcional) |
|---|---|---|
| Até 10 ha | 4 | 10 por armadilha |
| De 10 a 30 ha | 6 | 10 por armadilha |
| De 30 a 100 ha | 8 | 10 por armadilha |
| Acima de 100 ha | divida o talhão | — |
Manejo integrado da região
São medidas de caráter geral, como as fontes as descrevem, e nenhuma cita produto. Tiguera: elimine o milho voluntário antes da semeadura e monitore na entressafra, para cortar a "ponte verde"; colheita bem regulada perde menos grãos e gera menos tiguera (veja a medição de perdas na colheita). Sincronia: semeie na mesma janela da propriedade e da região, sem plantios sucessivos nem lavouras em estádios diferentes lado a lado, e evite plantios tardios, que têm mais enfezamento. Vizinhança: não semeie perto de lavouras mais velhas, sobretudo com sintomas. Híbridos: o híbrido mais tolerante é a medida mais efetiva; plante mais de uma cultivar e prefira as tabelas de reação das avaliações locais. Monitoramento regional: acompanhe o Monitora Milho (Adapar, no Paraná, e Epagri, em Santa Catarina); em alta incidência, as medidas só funcionam se toda a região adotar.
Valores de referência e as datas deles
| Valor | Referência | Data | Fonte |
|---|---|---|---|
| Nível de controle | não estabelecido | cartilha, p. 13 | Embrapa Milho e Sorgo |
| Fase de maior ocorrência de enfezamento | até V4 | cartilha, p. 8 | Embrapa Milho e Sorgo |
| Captura em armadilha (MG) | 1,09 a 2,15 por semana; pico de 9,37 | safra 2017/18 (tese de 2020) | UFV |
| Captura em armadilha (SC) | cerca de 70 por semana, 10 por dia | janeiro de 2024 | Epagri, via Revista Cultivar |
| Cigarrinhas infectivas (fitoplasma, SC) | 53% | janeiro de 2024 | Epagri, via Revista Cultivar |
| Cigarrinhas por planta | cerca de 1; picos de até 10 | 8 anos de levantamento | Embrapa (Alice) |
| Pico nas plantas | V6, de 1,5 a 4 por planta | março e abril de 2022 | Embrapa e UFSJ |
| Perda máxima, complexo de enfezamentos | até 70% | cartilha; tese de 2020 | Embrapa; UFV |
| Perda por doença | pálido até 100%; vermelho até 50%; risca 28,6% | sem data no texto | Embrapa (Alice) |
| Plantas infectadas em semeadura tardia | até 60% | sem data no texto | Embrapa (Alice) |
| Sintomas na planta | 4 a 7 semanas após a infecção | sem data no texto | Embrapa (Alice) |
| Produtividade do exemplo | 106,2 sc/ha | 12º levantamento, safra 2025/26 | Conab (média do Brasil) |
| Preço do exemplo | R$ 64,85/sc | 16/10/2026 | Indicador Cepea/B3, Campinas |
Perguntas frequentes
Por que não há "nível de ação", como no percevejo da soja?
Porque a Embrapa diz que ainda não foi estabelecido um nível de controle para a cigarrinha e que, para um inseto que transmite doença, ele é muito baixo. A calculadora mostra faixas de alerta do Conta da Safra, que você pode ajustar com o seu agrônomo, e põe o destaque na população, na tendência e na conta econômica.
Quantas cigarrinhas na armadilha é muito?
Depende da região e do ano. Em Minas, a pesquisa da UFV pegou até 9,4 por armadilha por semana; em Santa Catarina, em janeiro de 2024, a Epagri contou cerca de 70 por semana, mais de 7 vezes isso. Nas plantas jovens, até V4, mesmo poucas preocupam. Por isso a tendência entre as leituras ajuda: população que dobra em uma semana pede atenção, qualquer que seja a faixa.
Toda cigarrinha transmite enfezamento?
Não. Só as que se alimentaram de planta doente e passaram o período latente, de 3 a 4 semanas, segundo a cartilha da Embrapa. Por isso vale buscar o laudo de infectividade do monitoramento regional: em Santa Catarina, em janeiro de 2024, 53% estavam infectivas para o fitoplasma. Sem laudo, a calculadora supõe 50%.
Depois de V8 ainda preciso olhar?
A infecção que dá mais prejuízo é a do começo do ciclo. Depois de V8 a calculadora sai do alerta e não soma perda nova, mas os sintomas de infecções antigas ainda podem aparecer de 4 a 7 semanas depois. A calculadora não diagnostica doença.
O que quer dizer "o controle precisa evitar 16,6% da perda"?
É a parte da perda esperada que o controle teria de evitar para pagar o próprio custo. No exemplo, a perda esperada é de R$ 723 por hectare e o controle custa R$ 120: ele se paga se evitar pelo menos R$ 120 dessa perda. Se o número passa de 100%, nem um controle perfeito pagaria o custo com aqueles números. A eficácia de cada produto é assunto do agrônomo e da bula.
Controlar só a minha lavoura resolve? Onde acho o laudo?
Ajuda pouco se a vizinhança tem tiguera e plantios escalonados: a Embrapa e o IDR-Paraná insistem em sincronizar a semeadura na região, eliminar a tiguera e usar híbridos mais tolerantes. O percentual de cigarrinhas infectivas sai dos programas públicos de monitoramento, como o Monitora Milho da Adapar, no Paraná, e o Monitora Milho SC, da Epagri.
Fontes
- Cota, L. V.; Oliveira, I. R. de; Silva, D. D. da; Mendes, S. M.; Costa, R. V. da; Souza, I. R. P. de; Silva, A. F. da (Embrapa Milho e Sorgo), com revisão do Sistema FAEP/Senar-PR. Manejo da cigarrinha e enfezamentos na cultura do milho (cartilha), sem ano impresso: nível de controle não estabelecido (p. 13), fase até V4 e infectividade (p. 8), perdas (p. 2 e 3) e manejo (p. 10 a 14). infoteca.cnptia.embrapa.br
- IDR-Paraná e Adapar. Desafios do complexo de enfezamento do milho no Paraná, safra de 2020/2021 (nota técnica; levantamentos de novembro e dezembro de 2020). aen.pr.gov.br
- Revista Cultivar, com dados da Epagri/Cepaf. Programa Monitora Milho atualiza dados e estratégias para agricultores em Santa Catarina, 15/01/2024 (cerca de 70 cigarrinhas por armadilha por semana e 53% infectivas). revistacultivar.com.br
- Embrapa, repositório Alice, documento 483497 (textos "Milho vírus", "Milho praga" e "Safrinha sugada"; sem autor e ano no texto): perdas por doença, plantas infectadas em semeadura tardia, transmissão, sintomas e cigarrinhas por planta. alice.cnptia.embrapa.br
- Castro, A. L. G. de. Monitoramento de tripes e cigarrinha (Dalbulus maidis) utilizando armadilhas adesivas no milho em monocultivo e consorciado. Tese (Doutorado), Universidade Federal de Viçosa, 2020. locus.ufv.br
- Santos, N. M. dos; Carvalho, V. A.; Avellar, G. S. de; Santos, D. G. dos; Damasceno, N. C. R.; Oliveira, I. R. de (Embrapa Milho e Sorgo e UFSJ). Cigarrinha-do-milho: infestação em diferentes cultivares e estádios fenológicos, campo em março e abril de 2022. alice.cnptia.embrapa.br
- Produtividade e preço de exemplo: Conab (milho, 12º levantamento da safra 2025/26, média do Brasil) e indicador Cepea/B3 do milho em Campinas (16/10/2026). Detalhes e links de cada número em Dados de referência das culturas, do Conta da Safra.