Conta da Safra

FerramentasSolo e agronomia

Quanto vai de cada produto em cada tanque?

Digite a receita do agrônomo como ela veio (produto, formulação e dose por hectare, por 100 L ou em %), a área do talhão e o tanque. A calculadora mostra quanto vai de cada produto no tanque cheio e no último, quantos tanques o talhão pede, a ordem de adição pela formulação, quanto vai na jarra do teste de compatibilidade e quanto custa a calda.

Esta ferramenta faz a conta do preparo e organiza a ordem da calda. Ela não recomenda produto, dose, volume nem mistura e não diz se dois produtos podem ser misturados: isso depende da bula, da receita agronômica e do teste da jarra. A receita é de responsabilidade do profissional habilitado (Lei nº 14.785/2023, art. 39; IN MAPA nº 40/2018). Os produtos do exemplo são fictícios. Normas conferidas em 25/10/2026.

Como a calculadora faz a conta

A calculadora recebe a receita do jeito que ela chega ao produtor: cada produto com a formulação e a dose, por hectare ou por 100 L de calda, e o volume de calda por hectare. A base é a conta do manual da Embrapa Soja para o teste da jarra: a dose por hectare dividida pelo volume de calda por hectare dá a quantidade de produto em cada litro de calda. Vezes a capacidade do tanque, dá o produto por tanque; vezes a calda do último tanque, o produto do último. É a mesma conta da calculadora de calibração de pulverizadores, aqui com vários produtos.

Com a área do talhão, a calculadora soma a calda, conta os tanques cheios e mostra a calda do último, que quase sempre é parcial. Se preferir, ela divide a calda em tanques iguais. Mostra também quanto sobra se o último tanque for preparado cheio, por hábito, e quanto custa essa sobra em produto. Depois põe os produtos na ordem de adição pela formulação, na sequência do manual da Embrapa, e calcula quanto vai de cada um numa jarra de 1 L, na mesma concentração do tanque.

Ordem de adição na calda

É a ordem geral do manual da Embrapa Soja, com a agitação ligada do começo ao fim, para quando a bula e a receita não disserem outra coisa. A extensão da Universidade Purdue dá uma ordem parecida e manda seguir a bula. A lógica é a mesma: primeiro o que precisa se dispersar em bastante água (os sólidos), depois as suspensões, as soluções e as emulsões. Fora de ordem, o concentrado emulsionável posto antes do pó molhável forma uma pasta que não se dissolve.

Ordem de adição dos produtos na calda
PassoO que entra
1Água até 2/3 do volume de calda do tanque; ligar a agitação e manter até o fim.
2Condicionadores de água (sequestrantes, acidificantes, tamponantes), redutores de deriva, antiespumantes e agentes de compatibilidade, se houver.
3Pó molhável (WP).
4Granulados: granulado dispersível (WG) e granulado solúvel (SG), com a pré-mistura que a bula indicar.
5Suspensão concentrada (SC).
6Concentrado solúvel (SL).
7Concentrado emulsionável (EC).
8Outros adjuvantes, se houver.
9Fertilizantes foliares, se houver.
10O resto da água, até completar o tanque.

A bula vem antes da ordem geral. A IN MAPA nº 40/2018 torna obrigatória a informação de mistura em tanque que estiver no rótulo e na bula e manda que ela conste da receita. Se a bula de algum produto indicar outra ordem ou proibir a mistura, vale a bula.

Formulações que a sequência da Embrapa não posiciona

O manual lista mais siglas de formulação do que as da sequência. Para essas, a calculadora usa a posição abaixo, avisa no resultado e pede a bula. As posições marcadas como premissa podem ser mudadas no formulário, no grupo "Premissas da ordem e dos avisos".

Posição das formulações fora da sequência da fonte
SiglaNomePosição usadaDe onde vem
SPPó solúvelCom os granulados (passo 4)Premissa do portal: sólido que se dissolve, como o SG.
SE, ODSuspo-emulsão; dispersão em óleoCom as suspensões (passo 5)Premissa do portal: têm sólido em suspensão, como o SC.
CSSuspensão de encapsuladoDepois do EC (passo 7)A Purdue põe os microencapsulados depois dos emulsionáveis.
EW, ME, EO, DCEmulsão óleo em água; microemulsão; emulsão água em óleo; concentrado dispersívelCom os emulsionáveis (passo 7)Premissa do portal: formam emulsão ou dispersão líquida, como o EC.
OutrasTabletes, géis e pastasSem posição: siga a bulaA fonte não posiciona.

Produto biológico, de qualquer formulação, leva um aviso à parte: a Embrapa diz que a mistura com biológicos só deve ser feita quando estudos específicos comprovarem que ela é possível.

Teste da jarra

É o teste de compatibilidade em pequena escala do manual da Embrapa Soja. A calculadora dá a quantidade de cada produto para a jarra, na mesma concentração da calda.

  1. Use um pote transparente, com tampa, de pelo menos 1 L: algumas incompatibilidades não aparecem em volumes menores.
  2. Ponha 2/3 da água, de preferência da mesma fonte que vai abastecer o pulverizador.
  3. Ponha os condicionadores, o redutor de deriva, o antiespumante e o agente de compatibilidade, se houver.
  4. Ponha os produtos na mesma ordem do tanque e na mesma concentração da calda.
  5. Complete a água, feche, agite bem e deixe 2 horas em repouso.
  6. Olhe: fases separadas mesmo depois de agitar, flocos ou grumos, espuma em excesso, pasta ou sedimento no fundo. Se aparecer, mude a ordem de adição e repita o teste.

A jarra mostra a incompatibilidade física. A química (antagonismo, quando a mistura controla menos que os produtos aplicados separados) pode levar horas ou dias para aparecer e não se vê na jarra. Por isso a jarra sem problema não prova que a mistura funciona no campo: isso é da bula, da receita e da pesquisa.

A água da calda

A água é o solvente da calda. O pH, a dureza (cálcio, magnésio e ferro), a turbidez e a temperatura mudam com a fonte (rio, represa, poço) e com a época do ano. A calculadora só classifica a água que você informa e mostra as referências abaixo; ela não indica condicionador, acidificante nem dose. Os números de pH e de dureza vêm de uma extensão dos Estados Unidos, a Purdue, e ficam editáveis no formulário. A Embrapa diz que não existe um pH ideal único: depende de cada produto.

Referências de qualidade da água usadas nos avisos
ItemReferênciaFonte
Dureza totalMole até 114 mg/L de CaCO₃; moderadamente dura de 114 a 342; dura de 342 a 800; extremamente dura acima de 800. Um grão por galão vale cerca de 17,1 mg/L.Purdue, citando a OMS.
Dureza e condicionadorA Purdue cita condicionador acima de 150 mg/L para herbicidas ácidos fracos, sempre conforme a bula.Purdue.
pHMuitas bulas indicam pH de 6,0 a 8,0 e alertam contra acidificar ou alcalinizar demais. Água alcalina (acima de 7) pode quebrar alguns produtos por hidrólise, mais depressa quanto mais quente a água. A água de abastecimento urbano costuma ter pH de 7,8 a 8,5.Purdue.
TurbidezArgila e matéria orgânica em suspensão podem inativar o produto.Embrapa Soja e Purdue.
TemperaturaÁgua fria atrasa a dissolução, e o concentrado emulsionável pode gelificar abaixo de 15 °C.Embrapa Soja.
TempoUse a calda logo depois do preparo; se for preciso guardar, confira antes de aplicar. A orientação da UC Davis citada pela Purdue: calda ácida (pH 3,5 a 6) aguenta de 12 a 24 h; de pH 6 a 7, aplicar em 1 a 2 h; alcalina, aplicar logo.Embrapa Soja e Purdue.

A mistura em tanque e a lei

O que a calculadora não faz

O que é dado de fonte e o que é premissa

Cálculo educativo com a receita que você informou. A ferramenta faz a conta do preparo e organiza a ordem da calda; ela não recomenda produto, dose, volume nem mistura e não diz se dois produtos podem ser misturados: isso depende da bula, da receita agronômica e do teste da jarra. A receita é de responsabilidade do profissional habilitado (Lei nº 14.785/2023, art. 39; IN MAPA nº 40/2018). As faixas de pH e de dureza vêm de uma extensão dos Estados Unidos e não substituem a bula.

Perguntas frequentes

Posso misturar um produto com outro?

A calculadora não responde isso. Quem responde é a bula (se ela falar de mistura, a informação é obrigatória e tem de estar na receita, pela IN 40), a receita do agrônomo e o teste da jarra. Peça ao agrônomo que a mistura e a incompatibilidade estejam escritas na receita.

A mistura em tanque é permitida?

Com receita. A Lei nº 14.785/2023 diz que o profissional habilitado poderá recomendar a mistura em tanque quando necessário (art. 39, § 2º), e a IN 40/2018 do MAPA diz o que a receita tem de trazer: os produtos pelo nome comercial, as informações de mistura da bula e a incompatibilidade num campo próprio. A responsabilidade pela receita é do engenheiro agrônomo; o produtor segue a receita à risca.

Em que ordem coloco os produtos?

Primeiro 2/3 da água com o agitador ligado; depois os condicionadores e afins, o pó molhável (WP), os granulados (WG, SG), a suspensão concentrada (SC), o concentrado solúvel (SL), o concentrado emulsionável (EC), os outros adjuvantes, os foliares e o resto da água. Se a bula disser outra ordem, vale a bula.

Como faço o teste da jarra?

Num pote transparente com tampa de 1 L, ponha 2/3 da água da mesma fonte do pulverizador, os produtos na ordem do tanque e na mesma concentração da calda (a calculadora dá os mL ou g de cada um), complete a água, agite e espere 2 horas. No exemplo, a jarra leva 667 mL de água, 2,5 g do Produto B, 8,0 mL do Produto A, 5,0 mL do Produto C e 2,5 mL do Adjuvante D. Se separar em camadas, empelotar, espumar demais ou formar pasta, mude a ordem e repita; se continuar, fale com o agrônomo.

A água da minha fazenda serve para a calda?

Depende do produto. Cálcio, magnésio e ferro (água dura), barro e pH alto podem diminuir o efeito de alguns produtos. Analise a água algumas semanas antes da safra, com kit ou laboratório, e veja na bula se ela fala de pH ou de dureza. A calculadora mostra a classe da sua água, mas não manda corrigir. Se o laudo vier em grãos por galão, multiplique por 17,1 para ter mg/L.

O que faço com o último tanque?

Prepare só a calda que falta. No exemplo, o último tanque leva 700 L, com 5,60 L do Produto A, e não um tanque cheio, que deixaria 1.300 L de sobra (R$ 2.109,25 em produto). Outra saída é dividir a calda em tanques iguais: 7 tanques de 1.814 L no exemplo, com 14,51 L do Produto A em cada.

Fontes

  1. Embrapa Soja. Gazziero, D. L. P.; Oliveira, R. B.; Ovejero, R. F. L.; Barbosa, H. N.; Precipito, L. M. B. Manual técnico para subsidiar a mistura em tanque de agrotóxicos e afins. Documentos 437. Londrina: Embrapa Soja, maio de 2021. infoteca.cnptia.embrapa.br Usado: ordem de adição (p. 16 e 17); 2/3 de água e agitação (p. 16); teste da jarra, 1 L, 2 h e sinais de incompatibilidade (p. 13, 18 e 19); a conta de 1.440 g/ha ÷ 720 g/L = 2 L/ha e 2 L ÷ 100 L = 0,02 L por litro (p. 18); incompatibilidade física e química; água: pH, dureza, turbidez, temperatura e EC abaixo de 15 °C (p. 12, 14 a 16); uso logo após o preparo e diluição em misturas de três ou mais produtos (p. 17); formulações registradas e testadas e misturas com biológicos (p. 19 e 20); siglas de formulação (tabela 1 e anexo 2); texto da IN SDA/MAPA nº 40/2018 (Anexo 1, p. 21 e 22).
  2. Brasil. Lei nº 14.785, de 27 de dezembro de 2023 (agrotóxicos, produtos de controle ambiental e afins). planalto.gov.br Usado: definição de mistura em tanque (art. 2º, XX); o profissional habilitado poderá recomendar mistura em tanque, quando necessário (art. 39, § 2º); receita agronômica para a venda (art. 39); revogação da Lei nº 7.802/1989 (art. 65, I). Lido em 25/10/2026.
  3. Purdue University Cooperative Extension Service. Whitford, F.; Penner, D.; Johnson, B.; Bledsoe, L.; Wagoner, N.; Garr, J.; Wise, K.; Obermeyer, J.; Blessing, A. The Impact of Water Quality on Pesticide Performance. PPP-86, revisão de novembro de 2009. extension.purdue.edu Usado: classes de dureza citando a OMS e a conversão de grãos por galão (p. 11); cátions (p. 16); turbidez (p. 11 e 16); pH de 4 a 6,5 (p. 17); hidrólise em água alcalina (p. 18); pH de 6,0 a 8,0 em muitas bulas (p. 20); análise da água (p. 24 a 28); 150 mg/L para herbicidas ácidos fracos (p. 29 e 30); ordem de mistura e "consulte a bula" (p. 34); pH da água urbana (p. 36); tempo de calda por pH, da UC Davis (p. 37).
  4. Confea. Instrução normativa beneficia produção de alimentos, o meio ambiente e a saúde do agricultor. Brasília, 25/10/2018. confea.org.br Usado: resumo da IN 40 (receita específica por cultura ou problema, nome dos produtos, incompatibilidades, responsabilidade do agrônomo) e "o receituário deve ser seguido à risca".
  5. Brasil. MAPA, Secretaria de Defesa Agropecuária. Instrução Normativa nº 40, de 11 de outubro de 2018. DOU de 15/10/2018, Seção 1, p. 3. Texto lido no Anexo 1 do manual da Embrapa Soja (fonte 1); a publicação no DOU não foi aberta. infoteca.cnptia.embrapa.br Usado: art. 1º a 6º (o que a receita traz, a informação de mistura da bula como obrigatória, o campo da incompatibilidade e a responsabilidade do engenheiro agrônomo).